8 de janeiro de 2017

Arboricultora, Lda.

A empresa “Arboricultora, Lda.”, sediada em Caneças, foi oficialmente constituída em 5 de Agosto de 1936,  por Policarpo Domingos Pedroso e seu cunhado Francisco dos Santos Paisana. Estes dois empresários exploravam em nome individual, desde finais dos anos vinte uma carreira entre Caneças e o Lumiar, carreira esta que em 1 de Abril de 1935 se prolongaria ao interior de Lisboa, à “Garage Lys” na Rua da Palma, e mais tarde até à Rua Antero de Quental, transversal da Avenida Almirante Reis, junto ao Intendente.

1962

 

Mecânicos e autocarro da “Arboricultora, Lda.” nos anos 30 do século XX

A “Arboricultora, Lda.”, com filial em Lisboa, na Rua da Prata 15, tinha como sua actividade principal, desde 1926, o comércio de venda e compra de plantas e árvores de fruto, a construção e arranjo de parques, jardins e pomares e ainda a distribuição de água em bilhas, da Fonte dos Castanheiros, em Caneças.

Catálogo de 1944

Inicialmente os trajectos em Lisboa terminavam na Estrada do Desvio, passando-se por uma estreita passagem entre os prédios, para a Rua do Lumiar, apanhando-se então a ligação de eléctrico da Carris para o centro da cidade. Na altura o acesso ao centro da cidade não era permitido para não haver concorrência com a Carris.

Autocarro nº 14 em 1949

Autocarros em Montemor-Loures

Autocarro em Lisboa, nos anos 60 

Horário das carreiras entre Cascais e Guincho, de 1949

 


Horário e bilhetes gentilmente cedidos por Carlos Caria

As concessões continuariam em nome individual até à escritura de 11 de Fevereiro de 1960, em que finalmente a sociedade “Arboricultora, Lda” passava a explorar carreiras de passageiros, altura em que o capital social passou para 600 contos - Policarpo Domingos Pedroso, com uma quota de 300.000$00; Policarpo dos Santos Paisana, Maria Aurora Paisana Crespo e Raquel dos Santos Paisana Silvestre, todos com uma quota de 100.000$00. Também nesta altura a “Arboricultora, Lda” adquiria a “Lisboatur - Agência Turística, Lda.”, que tinha sido fundada em 1938.

A sua frota atingia os 40 autocarros, sendo essencialmente constituída pelas marcas “Volvo”, “Atkinson” e “Daimler”. A sede da empresa era em Caneças, na rua Dr. Manuel Arriaga, local onde nos finais dos anos 50 construira um edifício onde se instalariam a sede, garagem e oficinas. 

Em 8 de Outubro de 1966, as carreiras de autocarros da “Arboricultora, Lda.” estabelece correspondência com o Metro em Entre Campos, nas carreiras de Caneças, Paiã, Montemor e Odivelas, o que melhorou nitidamente a qualidade de transporte e conforto dos seus passageiros. A sua grande concessão foi a carreira Odivelas-Lisboa, chegando a ter 500 passageiros/hora e Montemor-Lisboa com 67 passageiros/hora.

Autocarro “Daimler” de 2 pisos da “Arboricultora, Lda.”

Tabela de preços de 1 de Agosto de 1971

Emblemas de boné de motorista e condutor

 
gentilmente cedidos por Carlos Caria

Muito Pouco tempo antes da onda das nacionalizações de 1975, a “Arboricultora, Lda.”, com 98 autocarros tem o “azar” de comprar mais 3/4 autocarros, elevando a sua frota para os 101/102 autocarros, ultrapassando o número mínimo (100) para ser nacionalizada e integrada na “RN - Rodoviária Nacional, E.P”. era à data da nacionalização, 11 de Junho de 1975,  a empresa com o maior número de viaturas para cada quilómetro concessionado e para cada carreira  Era igualmente a única empresa de autocarros de passageiros não englobada em nenhum grupo.

Bibliografia: artigo “Arboricultora, Lda, de Pedroso e Paisana Da compra e venda de plantas às camionetas de Caneças” de José Luís Covita em “Transportes em Revista” em 21 de Dezembro de 2008.

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Memórias de Empresas e Autocarros Antigos, Fundação Portimagem, Montemor.

10 comentários:

Luciano Canelas disse...

Caro José Leite, bom dia e bom ano.
Era esta mesmo que eu esperava, a empresa da minha infância, suporte de tantas histórias e de tantas aventuras.
Ainda guardo na memória, as cores, as marcas, os números, os cheiros, os ruídos, os bilhetes, as pessoas, as peripécias e as viagens.
Obrigado, um Abraço.

José Leite disse...

Caro Luciano Canelas

Eu é que agradeço a amabilidade do seu comentário.

Bom Ano para si também

Abraço
José Leite

gato Café disse...

Caro José Leite,

Obrigado pelo trabalho que tem realizado com este blogue, um autêntico serviço público de divulgação histórico!
Neste particular dos transportes públicos terá previsto algo sobre a Boa Viagem Transportes SARL que servia as localidades a oriente de Lisboa?

Cumprimentos e um bom ano,
Luís Nunes

Alvaro Pereira disse...

Meu caro José Leite

Venho mais uma vez agradecer-lhe por este artigo sobre esta empresa que faz parte do meu imaginário!

Continue o sem bom trabalho!

Álvaro Pereira

José Leite disse...

Caro Luís Nunes

O meu "eterno" problema é a falta de informação e fotos e documentação.
Quanto á Boa Viagem não tenho praticamente nada.

Grato pelo seu amável comentário.

Cumprimentos e um Bom Ano para si.

José Leite

José Leite disse...

Caro Álvaro Pereira

Muito agradeço o seu amável comentário.

Os meus cumprimentos
José Leite

Alvaro Pereira disse...

Meu caro José Leite

Quero também desejar-lhe um feliz Ano de 2017, que por distracção não incluí na minha anterior mensagem!

Peço desculpa pelo meu lapso!

Muito obrigado e um bom Ano Novo!

Álvaro Pereira

José Leite disse...

Caro Álvaro Pereira

Muito agradeço os seus votos de Bom Ano 2017, que retribuo.

Os meus cumprimentos
José Leite

jose luis covita disse...

José Leite,


Aparentemente não houve um número mínimo de viaturas para a nacionalização. Não existe nada no decreto de nacionalização que refira os 100 autocarros. Na verdade, toda a gente o diz,mas não o encontro em lado nenhum. Na minha opinião foram nacionalizadas as maiores empresas portuguesas. Simplesmente isso. O que já não foi pouco.
Cordialmente
José Luís COVITA

José Leite disse...

Caro José Luís Covita

Bem escrito: "o que já não foi pouco" ...

Grato pela sua achega.

Os meus cumprimentos
José Leite