25 de outubro de 2016

Teatro Taborda

O “Theatro Taborda”, localizado na Costa do Castelo, em Lisboa, construído por iniciativa de João Augusto Vieira da Silva e segundo projecto de Domingos Parente da Silva, foi inaugurado em 31 de Dezembro de 1870, em terrenos que tinham pertencido à cerca do “Coleginho da Companhia de Jesus”, integrando uma pequena ermida seiscentista com a invocação de São Francisco Xavier.

Exterior do “Teatro Taborda”

Traseiras do “Teatro Taborda” (na elipse) visto a partir do “Miradouro da Senhora do Monte” 

O nome “Taborda” foi atribuído a este teatro em homenagem ao grande actor de teatro, da época, Francisco Alves da Silva Taborda (1824-1909), a quem Sousa Bastos não lhe poupa elogios: «incomparável, carater de ouro, artista sublime, joia mais preciosa do palco português, a mais veneranda relíquia da arte nacional».

Actor Francisco Taborda (1824-1909)

Com a finalidade da construção deste teatro, em 16 de Janeiro de 1870, tinha-se constituído da “Sociedade Taborda”, da qual faziam parte Jesuino Francisco Chaves, Augusto Freire, Gaspar Moreira, Francisco Homem, Augusto César Vieira da Silva, Eduardo Coral, e á qual se juntaram posteriormente Eduardo António da Costa, Júlio Xavier, Portulez, entre outros.

De referir no que respeita ao espectáculo, o mesmo foi enriquecido com cenários de Rambois e Cinatti, recuperados do velho “Theatro das Laranjeiras”, também chamado “Theatro Talia”, entretanto destruído por um incêndio, em 1862.

Quanto à inauguração Fernando Midões escreveria em 2006: «A festa, muito à maneira da época, e devido à extensão do programa, durou até de madrugada. Iniciou-se com uma surpresa, a do “Hyno da Sociedade”, oferta do Prof. Augusto de Carvalho ao que se seguiram:  declamações de poesia “A Sociedade aos seus Convidados” de José Inácio de Araújo, recitada por Jesuíno Chaves. o drama em três actos “O Mundo e o Claustro” de Thomaz Lino da Assumpção e duas comédias “A Gramática” e “O Claustro"».

“Grupo Dramático de Alhandra” no “Teatro Taborda”

Em 1908, o imóvel do “Teatro Taborda” seria adquirido por por João Antunes da Silva Júnior, que o manteria na sua posse até 1955, ao que se seguiria, em 1909, um pedido de autorização à Câmara Municipal de Lisboa para se proceder a alterações ao edifício, onde ainda vieram a realizar espectáculos de três sociedades recreativas: o “Círculo Católico”; o “Grupo Dramático Actor Joaquim Costa”; a “Academia Instrutiva do Pessoal dos Caminhos de Ferro Leste e Norte”.

Entretanto a actividade do “Teatro Taborda” é intermitente e passam a funcionar no edifício várias estações de rádio -“Rádio Continental”, “Rádio Restauração”, “Rádio Hertz”, etc.- tendo ainda, posteriormente, servido o imóvel como estúdio de gravações discográficas, armazém de mobílias e aparelhagens domésticas, etc. Entre 1954 e 1955, é inquilino Fernando Cardelho de Medeiros encontrando-se instalada no edifício a “Rádio Restauração”, posto transmissor de T.S.F. de que é proprietário. Em 1956 1956 Mariana Rodrigues Antunes da Silva Cruzeiro, cabeça de casal da herança de João Antunes da Silva, torna-se proprietária do edifício do “Teatro Taborda”.

  

Em 20 de Maio de 1966 a Câmara Municipal de Lisboa compra o imóvel com a intenção de o transformar em teatro municipal, ideia que foi logo depois abandonada, por se optar pelo Teatro de São Luiz”.

O jornal “Diario de Lisbôa” num artigo de 18 de Outubro de 1968, acerca deste Teatro, noticiava:

«Esteve ameaçado de ser demolido, mas o Município adquiriu-o e agora, em boa hora, tomou a iniciativa de o reconstruir para poder continuar a servir a sua missão cultural e recreativa.
Foi na reunião de ontem que foi adjudicada ao sr. Luís Magalhães Pinto, por 210 contos, a obra de reconstrução.»

Reunião do “MUD - Movimento de Unidade Democrática” no “Teatro Taborda” em 10 de Novembro de 1945

 

Acerca desta reunião política o mesmo artigo do jornal “Diario de Lisbôa” de 18 de Outubro de 1968, recordava:

«Há anos, numa campanha eleitoral, o velho Teatro Taborda até pareceu remoçar, só de ouvir os discursos moços e vibrantes e os aplausos da assistência entusiasmada. Até parecia ter-se voltado ás noites de meio século atrás ... Era de política e governação que se tratava, mas havia animação e isso era o principal para as paredes velhinhas.»

Interior do “Teatro Taborda” nos finais dos anos 60 do XX

 Teatro Taborda.6

Em 1974, o edifício encontrava-se em muito mau estado de conservação, com parte das dependências ocupadas por uma família que a CML ali instalara, tendo o Ministério da Educação manifestado, junto do Município, o desejo de instalar serviços no mesmo. Mas, finalmente em 1980 é celebrado o contrato com vista à recuperação do teatro, sob a coordenação do “Gabinete Técnico da Mouraria” (e concretamente do engenheiro Jorge Evans de Sousa), com projecto de arquitectura da responsabilidade dos arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Bartolomeu Costa Cabral. Com a falência da firma “AGERC” a quem as obras tinham sido adjudicadas, estas foram suspensas, sendo retomadas apenas em 1994.

Em 1 de Junho 1995, o “Teatro Taborda” é reaberto, inserido num conjunto de medidas tomadas pelos pelouros do Turismo e da Reabilitação Urbana dos Núcleos Históricos, da CML - projecto Integrado do “Teatro Taborda” e “Quinta do Coleginho”.

Vistas exteriores do “Teatro Taborda” actualmente

 

O grupo teatral “Artistas Unidos” sairiam deste Teatro em 2006, depois de o utilizarem até Junho de 2005, como grupo residente. No ano seguinte, 2006, e a convite da “EGEAC/Câmara Municipal de Lisboa”, estrearia o grupo teatral “Teatro da Garagem” - novo grupo residente - com a peça “À Procura de Júlio César” .

Interior reabilitado

 

“Café da Garagem”

«O Teatro da Garagem é uma companhia fundada em 1989 que dedica o seu trabalho artístico à pesquisa e experimentação, através da investigação de novas formas de escrita para teatro e de novas formas cénicas que a acompanham.

A companhia trabalha com um autor/encenador residente, um músico, um núcleo de atores, uma equipa de produção, um dramaturgista, um desenhador de luz, um cenógrafo e um figurinista. Para além das criações próprias, a partir de textos originais de Carlos J. Pessoa, a companhia desenvolve um trabalho com a comunidade, através das atividades do Serviço Educativo e dá a conhecer o trabalho de novos criadores através do Ciclo Try Better Fail Better.» in “Teatro da Garagem”.

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, EGEAC, Casa Comum

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