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4 de setembro de 2016

Cinema “Roma”

O cinema "Roma" localizado na Avenida de Roma, em Lisboa e inaugurado em 15 de Março de 1957 foi mandado construir em 1955, por Joaquim Brás Ribeiro Belga, tendo sido o projecto entregue ao arquitecto Lucínio Cruz.

Alentejano de Montemor-o-Novo, Joaquim Braz Ribeiro Belga entrou no negócio dos cinemas a pouco e pouco, ganhando a confiança de investidores que nele reconheciam integridade, inteligência e força de vontade. A sua paixão pela actividade cinematográfica vinha do pós-Segunda Guerra Mundial, quando conheceu negociantes espanhóis que procuravam coproduzir longas metragens destinadas ao país vizinho, recém-saído da Guerra Civil. Aproveitando a oportunidade comercial, Ribeiro Belga soube associar-se a estes na produção e distribuição de filmes. Já em Lisboa, criou a distribuidora  “Doperfilme”, através da qual entraram em Portugal muitos filmes europeus, tendo mais tarde conseguido a representação da “Universal” e a “International”. Acoplada à “Doperfilme” fundou toda uma estrutura composta por várias outras empresas que, juntas, abrangiam todos os sectores da indústria cinematográfica, como a “Talma Filmes” (produtora e distribuidora) ou a “Sacil” (exibição em salas), entre outras. Todas estas empresas constituíam o “Grupo Ribeiro Belga”, um dos maiores no meio cinematográfico português, durante largos anos.

Joaquim Brás Ribeiro Belga (1913-1972)

Dos vários cinemas que detinha - espalhados pela província e pelas antigas colónias - o “Roma” era um dos construídos de raiz pelo Grupo Ribeiro Belga, em parceria com várias outras entidades/sócios, e a concretização de um sonho pessoal de Ribeiro Belga. Na construção do Cinema “Roma”, inovou e conseguiu inaugurar um cinema moderno, elegante e de grande qualidade técnica, ainda hoje amplamente reconhecida. Em Lisboa, além do “Roma”, Ribeiro Belga foi também responsável pela construção de outro cinema, o “Estúdio 444”, que fora em tempos uma garagem, e também pela construção do Cinema “Aviz”,  antigo Cinema “Palácio”.

Desenho do projecto publicado no “Diario de Lisbôa” em 5 de Agosto de 1955

Construção do Cinema “Roma”, em 1956

  

O cinema "Roma", com capacidade para 1.056 espectadores, seria inaugurado, como foi referido, em 15 de Março de 1957, com a presença do Ministro da Presidência, Governador Civil de Lisboa, o Secretário Nacional de Informação e o Inspector-Geral dos Espectáculos. Para esta inauguração foi exibido o filme "Contos Romanos" de G. Franciolini. Silvana Pampanini uma das participantes nesta película foi a actriz convidada para esta estreia e inauguração.

Filme “Contos Romanos” estreado na inauguração do “Roma”

A propósito da abertura do cinema "Roma", o "Diario de Lisbôa" escrevia:

«O novo cinema, construído em pouco mais de dois anos, tem lotação para mais de um milhar de espectadores, com uma ampla plateia e uma tribuna que descem para o palco formando um segmento de coroa circular. As linhas arquitectónicas do edifício são sóbrias, como é norma nas novas casas de espectáculos, e a própria decoração dos corredores e pátios prima pela discrição. As cadeiras da sala, forradas a verde, são comodas e o ambiente cria no publico uma sensação de bem estar.»

Por outro lado, o “O Século” escrevia, a propósito:

«À tarde, os proprietários do cinema, Sr. Joaquim Ribeiro Belga, Eng. António Praça, Fernando Santos e o produtor espanhol Pedro Curet convidaram os representantes da Imprensa e os críticos cinematográficos para uma visita ao novo cinema. A sala de espectáculos, de um só piso mas em três planos, bem lançados o que dá uma excelente visão de todos os lugares, tem acomodações para mil espectadores, sendo as cadeiras muito confortáveis. O palco estende-se a toda a largura da sala e é provido de “écran” panorâmico, com 14 metros de extensão. Rodeia a sala um amplo corredor, onde estão instalados os “bars” e vestiários e toda a decoração e mobiliário, elegantes e sóbrios, foram orientados pelo artista plástico Manuel Lima que também executou alguns painéis de lindo sentido moderno.
Aos convidados foi servido um “cocktail” que teve a presença de Silvana Pampanini, que entreteve larga conversação com todos os jornalistas, e dos produtores italiano Marquês Giancarlo Cappelli e francês Conde de Robien, que acompanharam aquela vedeta a Lisboa.»

 

Em 21 de Fevereiro de 1958, o cinema "Roma" estrearia pela primeira vez, e última, um filme português: "O Homem do Dia" realizado por Henrique Campos e distribuído pela "Internacional Filmes". Em complemento "Cidade de Poetas" de Fernando de Almeida.

21 de Fevereiro de 1958

                                1959                                                               1969                                                   1972

  

A primeira vez que o “Roma” abriu ao público contava com 1056 lugares, mais 355 do que a actual capacidade máxima. Cinema de grande sucesso entre as gentes das novas avenidas, o fim que inicialmente fora previsto - «dar cinemas às classes menos abastadas» - acabou por não ser cumprido, e o “Roma” tornou-se um Cinema com os seus rituais e público próprio e exigente.

Pessoal do Cinema “Roma”

Classificado pela “Inspecção-Geral dos Espectáculos” como sendo de 2ª classe, obtém autorização «para a realização de espectáculos ou divertimentos públicos de cinema e variedades». Um auto de vistoria da mesma instituição, datado de Agosto de 1964, refere a instalação recente de um novo ecrã (com 16m de comprimento por 7,30m de altura) que permite a projecção de filmes em 70 milímetros, bem como a existência de novas máquinas de projecção “Cinemecânicas - Vitoria 8”. Este auto refere ainda, que «nos espectáculos pelo sistema Todd AO - 70 mm as quatro primeiras filas da plateia, num total de 110 lugares, não oferecem condições de visibilidade perfeita pelo que deve ser interdita a sua utilização».

                                                       1976                                                                               15 de Maio de 1964             

 

Encerraria a 13 de Outubro de 1988, com o filme “Comboio em Fuga” em exibição. Durante algum tempo seria utilizado como armazém, até ser comprado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Em 1996, sofre algumas obras de recuperação e em 1997 passa a ser a sede da “Assembleia Municipal de Lisboa”. Em Abril de 2003, a sua gestão foi confiada à “EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural” que o administrou até ao final de 2005. Actualmente a sua gestão é da responsabilidade conjunta da CML e da AML com o nome de “Fórum Lisboa”, sendo simultâneamente a sede da “Videoteca Municipal”.

O “Fórum Lisboa” dispõe de dois auditórios, um principal e outro mais pequeno. O auditório principal tem capacidade para 701 lugares, equipado com equipamento de som, luz e sistema de projecção de filmes em 35 e 16 mm bem como sistema de projecção vídeo. O pequeno auditório tem capacidade para 25 pessoas. No primeiro piso, existe ainda uma sala de apoio, com 40 lugares.

 

Bibliografia: “do Cinema Roma ao Fórum Lisboa - breve história de um espaço de cidadadania” - Edição: Assembleia Municipal de Lisboa - Texto, Investigação e paginação: Isabel Fiadeiro Advirta. - Março 2007.

fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, IÉ-IÉ, Assembleia Municipal de Lisboa

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