13 de novembro de 2015

Taverna do Embuçado

O restaurante "Taverna do Embuçado", localizado no Beco dos Cortumes, no Bairro de Alfama, em Lisboa, foi inaugurado em 17 de Dezembro de 1965.

 

Entrada para o Beco dos Cortumes

    

Este restaurante típico e casa de fados, foi fundado pelo pintor João Jorge Sant’iago Corte-Real e sua mulher, a decoradora Manuela Cintra, e pelo fadista João Ferreira-Rosa, que para a sua exploração, criaram a sociedade “Taverna do Embuçado - Actividades Hoteleiras, Lda.”. Este restaurante funcionava também como ponto de venda de jóias e antiguidades, cuja sala de exposição era na loja contígua, e de seu nome “Antiquário de Alfama”. A propósito João Sant’iago recordava, mais tarde:

«Quando estávamos no "Embuçado" vendíamos todas as noites cem ou mais contos, quer de objectos de arte, quer de jóias. A clientela estrangeira e portuguesa, de casas desta categoria têm dinheiro para isso e para muito mais. E não calcula! Casais de noivos estrangeiros, por exemplo, quando a meio ou no fim do jantar visitavam as nossas exposições, não resistiam á tentação de gastar centenas ou milhares de escudos, segundo as suas possibilidades.»

A loja “Antiquário de Alfama” mesmo ao lado, e antes, da entrada para a “Taverna do Embuçado”

                          17 de Dezembro de 1965                                                      29 de Dezembro de 1965

 

João Ferreira-Rosa na entrada da sala da “Taverna do Embuçado” e a cantar um fado

 

Dra. Maria Belard da Fonseca e engº.  Jaime Esteves de Bastos na “Taverna do Embuçado”, em 1966

Porém em Abril de 1966, a sociedade desfez-se com a saída de Manuela Cintra e João Sant’iago, pelo facto de considerarem que a mesma não funcionou como seria desejável e previsto de início. A desavença entre o casal e o fadista João Ferreira-Rosa foi levada aos tribunais.

1966

Estava, para este casal, terminada a experiência da "Taverna do Embuçado" que tinha custado três mil contos chegando a ser um dos lugares mais elegantes da capital. O casal que possuía uma loja de antiguidades, a "Calandra", empreendeu um novo projecto de um restaurante de luxo, desta vez no Bairro da Bica, no aristocrático ambiente de Santa Catarina ocupando um palácio que pertencia ao pintor João Sant’iago e sua mulher e onde funcionava a sua loja de antiguidades "Calandra". O novo restaurante chamar-se-ia "Calandra" mas após terem sido gastos alguns dos seis mil contos previstos em obras, e por motivos que não consegui apurar, o projecto não teve final feliz, não tendo nunca vindo ser inaugurado.

Entretanto, e a partir de Abril de 1966, a gerência da “Taverna do Embuçado”, ficou exclusivamente a cargo do sócio e fadista João Ferreira-Rosa, enquanto os processos continuavam a decorrer nos tribunais. Conflito esse, bem expresso no anúncio, do jornal “Diario de Lisbôa”, de 12 de Novembro de 1966, que publico a seguir.

12 de Novembro de 1966

1967

Pela “Taverna do Embuçado”, com capacidade para 130 pessoas, passaram nomes de fadistas como: Celeste Rodrigues, João Braga, Teresa Silva Carvalho, Teresa Tarouca, Maria Valejo, Beatriz da Conceição, Hélder Moutinho, Ana Moura, Carminho, Rodrigo Costa Félix, Teresa Siqueira, etc.

Celeste Rodrigues e Hélder Moutinho na “Taverna do Embuçado”, em 2003

Celeste Rodrigues em 2003 Hélder Moutinho em 2003 

Depois de alguns anos encerrada, a fadista Teresa Siqueira, com o seu marido, Nuno Rebelo de Andrade - pais da fadista Carminho - e mais alguns sócios, reabririam a “Taverna do Embuçado”, em 1993, onde Teresa Siqueira também cantaria nos 12 anos seguintes. Esta casa viria a encerrar definitivamente em 2013, salvo erro.

Teresa Siqueira, Carminho e Nuno Rebelo de Andrade

Entrada do Beco dos Cortumes, actualmente

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaDelcampe.net, Hemeroteca Digital

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