15 de maio de 2015

Palácio-Sede da Cruz Vermelha Portuguesa

A sede da “Cruz Vermelha Portuguesa” está instalada desde 1924, no “Palácio da Rocha do Conde d`Óbidos”, também conhecido pelo “Palácio Óbidos-Sabugal”. Este palácio fica no Jardim 9 de Abril, - também conhecido por Jardim das Albertas ou Jardim da Rocha do Conde d’Óbidos - onde se situa o actual miradouro da Rocha do Conde d'Óbidos, e o “Museu Nacional de Arte Antiga”. Neste jardim encontra-se uma peça escultórica em homenagem ao fundador da actual “Cruz Vermelha Portuguesa”, José António Marques.

“Palácio Óbidos-Sabugal”, mais conhecido por “Palácio da Rocha do Conde d`Óbidos”

Recordo que, a actual “Cruz Vermelha Portuguesa” foi fundada em 11 de Fevereiro de 1865 pelo médico militar José António Marques, sob a designação de “Comissão Provisoria para Socorros e Feridos e Doentes em Tempo de Guerra”.

                                    José António Marques (1822-1864)              Brazão da “Cruz Vermelha Portuguesa”

                     

Corpo da “Sociedade Portugueza da Cruz Vermelha”

O “Palácio da Rocha do Conde d`Óbidos” foi mandado construir no segundo quartel do século XVII, por D. Vasco de Mascarenhas, alcaide-mor e 1.º Conde d`Óbidos, construção que, após a sua morte, foi prosseguida por seu filho, o 2º conde de Óbidos, D. Fernando Martins Mascarenhas.

O local chamado “Rocha Conde d’Óbidos” tinha efectivamente uma rocha que lhe deu o nome e que foi preciso eliminar, para a construção do Aterro, no âmbito da reconversão paisagística e da rede viária e pedestre.Como ficava junto ao “Palácio do Conde d’Óbidos”, o morro e rocha ficaram conhecidos por “Rocha Conde de Óbidos”. Até que em 1880, foram mandados dinamitar pela Câmara Municipal de Lisboa, após longas negociações entre o Município e a “Casa de Óbidos-Sabugal”, e no espaço foi construída uma escadaria dupla, hoje chamada “Escadaria José António Marques”, que ficou concluída em 1883

Após a morte do 9º conde, D. Pedro de Melo de Assis de Mascarenhas, em 1905, o palácio, pouco tempo depois, seria arrendado ao “The British Council”. Em 1919, por escritura lavrada a 30 de Junho, entre D. Pedro de Mello d' Assis Mascarenhas, 11º Conde d' Óbidos, e o General Joaquim José Machado, 8º Presidente da “Sociedade Portugueza da Cruz Vermelha”, o palácio seria adquirido por esta, por 65 contos. Posteriormente, com sua autorização, nele funcionou a “Secretaria da Academia Portuguesa de História”. Foi, ainda, residência de Jorge Colaço, autor do painel de azulejos exposto no Terraço e serviu, durante a Segunda Guerra Mundial, de enfermaria aos prisioneiros das potências beligerantes.

Edificação seiscentista sofreu, ao longo da sua existência, obras de grande vulto. Com a mudança definitiva dos serviços da “Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha”, da Praça do Comércio para o Palácio, em 1947, esta recebeu, sobretudo no seu interior, uma completa renovação. Essas obras de restauro e de embelezamento, que se prolongaram entre 1937 e 1947, e que, de algum modo, alteraram a traça original, conferiram ao palácio uma maior riqueza decorativa.

Equipamentos e pessoal da “Sociedade Portugueza da Cruz Vermelha”, ainda na Praça do Comércio em preparativos para o embarque das tropas para a primeira Guerra Mundial

 

Ambulância do início do século XX

Outra na Praça do Comércio em 1916

          Enfermeiras em foto de 12 de Junho de 1916                             Bilhete de Identidade de membro “Braçal”

 

Pessoal da “Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha”, nos anos 30 do século XX

Curso de enfermagem em 1937

 

Rei D. Manuel II, em Inglaterra durante o exílio, com a farda da Cruz Vermelha durante a Guerra Mundial (1914-1918)

O portal nobre, encimado com o brasão de armas dos Condes d'Óbidos supra-coronado com a coroa ducal, é ladeado por seis painéis de azulejos monocromos, tipo século XVIII, com figuras de um fidalgo, um albardeiro e uma dama.

 

O átrio do palácio, ostentando os bustos do rei D. Luís I e da rainha D. Maria Pia, protectores da “Cruz Vermelha” em Portugal, dá acesso à Biblioteca e às salas. Estas, conhecidas por sala do Conselho Supremo ou sala Diana, sala das Parábolas, sala D. João de Castro ou das Tapeçarias, sala da Mitologia e sala das Grinaldas (com tecto pintado por Gabriel Constante, em 1934), estão decoradas com painéis de azulejos monocromos, com alegorias que aludem a cenas mitológicas, bíblicas e à história do Oriente. Pelas paredes fixam-se retratos dos sucessivos presidentes da “Cruz Vermelha Portuguesa”.

Na Sala de Jantar, silhares de painéis da autoria do Coronel Vitória Pereira, desenhados em 1937, representam curiosas cenas palacianas. No tecto, pinturas de Gabriel Constante, igualmente autor dos azulejos e pinturas que ornamentam a sala D. João de Castro, a Biblioteca e a fachada do portal nobre, reproduzem a evolução do palácio desde o século XVII ao século XX.

Casa de Jantar

Na Biblioteca, antigo salão do palácio reconstruído após 1935 segundo a concepção de Afonso de Dornelas, destaca-se um grande lustre de cristal, de fabrico na Marinha Grande, adquirido entre 1947 e 1948, suspenso sob uma pintura representando a Paz de Alvalade, em que a rainha Santa Isabel prega a concórdia entre o rei D. Dinis e D. Afonso. Esta imagem central está rodeada de pinturas alegóricas das sete artes liberais.

Biblioteca

A Capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição e aberta ao culto por provisão de 16 de Junho de 1948, apresenta uma rica e exuberante decoração com as suas paredes e tectos revestidos de azulejos policromos e pinturas.

Capela

As características e indiscutível beleza do “Palácio da Rocha do Conde d' Óbidos” reconhecido em 1993, como imóvel de interesse público, despertaram, desde muito cedo, interesse para o seu aproveitamento para a organização de eventos sociais e culturais.

 

 

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Cruz Vermelha Portuguesa

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