25 de janeiro de 2015

Fábrica de Cimento “Secil”

Neste ano de 2015, comemoram-se os 90 anos da criação da marca de cimentos “Secil” e quase 100 anos desde a instalação no Vale da Rasca, junto à foz do rio Sado, no Outão do primeiro forno para produção de cimento. Instalada no vale que separa as formações calcárias da serra da Arrábida das formações argilo-calcárias que se estendem até Setúbal, a “Fábrica da Rasca” (por se situar no Vale da Rasca) dispunha das matérias-primas necessárias e de fáceis acessos por terra e por mar. Factores decisivos para que, no início do século, um pequeno grupo de engenheiros belgas e portugueses se tivessem lançado na construção de uma fábrica de cimento naquele local.

1921

Em 1904 era fundada a “Companhia de Cimentos de Portugal” e construída a fábrica do Outão, em Setúbal, que arranca com dois fornos verticais para uma produção de 10 000 t/ano, em 1906, e em 1918 “Companhia Geral de Cal e Cimento” adquire os terrenos e instalações, que arrenda à “Secil - Sociedade de Empreendimentos Comerciais e Industriais, Lda.”

Em 1925, é criada a marca de cimentos “Secil”, e em 1930 era constituída a “Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.”, resultante da fusão da “Secil” com a “Companhia Geral de Cal e Cimento” e da participação das firmas dinamarquesas “F. L. Smidth & Co.” e “Hojgaard & Schultz A/S”.

Entre 1930 e 1972 a “Secil” instala 7 fornos por via húmida (processo de fabrico da altura), aumentando sucessivamente a sua capacidade de produção até atingir 1 milhão de toneladas de clínquer, tornando-se na maior fábrica de cimento em Portugal.

 

 

A localização privilegiada da fábrica do Outão, junto à foz do rio Sado permite que tenha aí três cais acostáveis, dotados de meios autónomos de carga e descarga simultâneas. Com o incremento das actividades devido à ampliação da fábrica e instalação de novos fornos, reconheceu-se a vantagem de dispor de uma frota marítima própria para a colocação do cimento pelos principais centros distribuidores instalados em Lisboa e no Porto, além do transporte de carvão para abastecimento dos fornos, tanto mais que a sua localização no estuário do Sado e afastada de qualquer via férrea ou rodoviária o justificava. Pelo que a “Secil” chegou a ter estatuto de armador até 1986, possuindo alguns navios de transporte de cimento.

                                 “Secil Grande” (1951)                                                            “Secil Novo” (1953)

 

                                    “Secil Novo” (1954)                                                                “Secil Outão” (1964)

 

1939

Entreposto no cais do Poço do Bispo e presença da “Secil” na construção do “Planetário Calouste Gulbenkian”, em 1963

 

Presença da “Secil” na construção do “novo” Cine-Teatro “Éden”, na Praça dos Restauradores, em Lisboa em 1936

Igualmente presente na construção do último edifício da Praça do Areeiro, em Lisboa

Com a nacionalização do sector cimenteiro na vaga das nacionalizações no Verão de 1975, a “Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.”, escapa e passa a ser uma empresa privada com a maioria do capital público.

Em 1978 entra em funcionamento do 1º forno da via seca, com comando centralizado e computorizado (800 000 t/ano), dando resposta ao crescimento do consumo interno e à necessidade de reduzir custos de produção, e em 1982 a antiga fábrica do Vale da Rasca, a “Fábrica da Rasca”, é desactivada, abandonando-se definitivamente o processo de produção por via húmida.

 

Em 1994 verifica-se a privatização do capital público, no sector cimenteiro; a “Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.”, passa a ser empresa de capital inteiramente privado, ao mesmo tempo que adquire a empresa “CMP - Cimentos Maceira e Pataias”, passando a ser detentora das fábricas de cimento “Maceira-Liz” e “Cibra-Pataias”.

                                 1934                                                                                       1957

 

Em 1998, a “Secil” obtém a Certificação da Qualidade  pela Norma ISO 9002, e a Certificação Ambiental da Fábrica Secil-Outão pela Norma ISO 14001, sendo a 4ª fábrica do sector a obter na Europa.

 

No ano 2000, a “Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.”, inicia o processo de aquisições de outras unidades fabris no estrangeiro, que de seguida enumero cronologicamente:

2000 - Aquisição da "Societé des Ciments de Gabès", empresa reprivatizada pelo Governo da Tunísia e que detêm uma fábrica de cimento com uma capacidade de produção de cimento de 1 100 000 t/ano.
- Contrato com o governo angolano para a exploração de uma unidade fabril no Lobito, pela empresa “TecnoSecil”, da qual a SECIL detém 70% do capital.

2002 - Aquisição de 21,2% da empresa “CDS - Ciment de Sibline, SAL”, localizada a sul de Beirute, no Líbano.

2003 - Aquisição pela “Semapa” da totalidade da participação dinamarquesa no capital da Secil.

2004 - Aquisição pela Secil de 51% do capital da fábrica de cimento “Encime”, localizada na baia do Lobito, Angola.

2004 - A irlandesa “CRH, Plc”, um dos maiores grupos de materiais para construção, adquire 45% do capital da Secil à “Semapa SGPS”.

2006 - Alteração da designação da “TecnoSecil” para “Secil Angola” passando a deter 51% da “Secil Lobito”.

2007 - A Secil adquire uma participação adicional da “CDS - Ciments de Sibline, SAL” passando a deter uma participação de 50,5% no capital da sociedade.

2011 - Semapa adquire à “CRH, Plc” 49% da Secil passando a ser accionista única da empresa.

2012 - Secil adquire 15% do capital da “Supremo Cimento” com sede em Pomerode Santa Catarina, Brasil.

Bibliografia: Site da SECIL

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Navios à Vista

8 comentários:

Manuel Tomaz disse...

Felizmente que esta ainda nos pertence. O mesmo não aconteceu com a Cimpor que, tal como a Telecom, foram para o Brasil.
Cumprimentos,
Manuel Tomaz

Anónimo disse...

O que me surpreendeu na primeira fotografia é que a encosta da serra aparentemente tinha menos vegetação quando foi construída do que aquela que a reveste hoje.
JM

Luis.M.Soares disse...

No meu entender falta o histórico da implantação da Companhia de Cimentos Secil do Ultramar desde a sua fundação até 1975. Esta organização em Angola, com sede em Luanda, com fábrica implantada na região do Cacuaco tinha 3 fornos de via húmida. Trabalhei por 15 anos com muito orgulho.

José Leite disse...

Caro Luís Soares

Essa informação, acerca das instalações em Angola, não a consegui obter.

Grato pela sua informação adicional.

Os meus cumprimentos

José Leite

Vitor Leite disse...

Eu estive na secil em cacuaco em 2014, hoje designada por novacimangola e gerida por columbianos...... no que puder ajudar disponha....

vitormtleite@gmail.com

José Leite disse...

Caro Vitor Leite

Muito grato pela sua disponibilidade

Os meus cumprimentos

José Leite

Luis.M.Soares disse...

Neste ano de 2016 mandei-lhe por duas vezes correspondência e material relacionado com a Secil do Ultramar mas ´~ao tive resposta sua.

José Leite disse...

Caro Luís Soares

Sinceramente, não tenho ideia nenhuma de ter recebido algum e-mail da sua parte com o referido material. Talvez tenha ido parar à caixa do Spam e tenha sido eliminado. É uma hipótese.

Respondo sempre a todos os e-mails e comentários que os leitores fazem o favor de me enviar. Se não recebeu a minha resposta e agradecimento, só pode ter sido pelas razões atrás mencionadas.

Lamento o sucedido.

Os meus cumprimentos