23 de janeiro de 2015

Estádio Universitário de Lisboa

O “Estádio Universitário de Lisboa”, construído pela “C.A.N.E.U.-Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários”, sob orientação superior do engenheiro Arantes e Oliveira, Ministro das Obras Públicas,  foi inaugurado em 27 de Maio de 1956, incluído no plano de comemorações do 30 º aniversário da “Revolução Nacional”, tendo sido entregue áMocidade Portuguesa”.  O jornal “Diario de Lisbôa” noticiava do seguinte modo este acontecimento:

«Inaugurou-se hoje, de tarde, oficialmente o Estádio Universitário. De manhã, às 9 horas com a presença do sr. prof. dr. Gonçalves Rodrgues, comissário nacional da Mocidade Portuguesa, outros dirigentes da organização e muitos filiados, o assistente nacional da M.P: rev. dr. Alves de Campos, procedeu à benção litúrgica do estádio, auxiliado pelo rev. Joaquim António de Aguiar, assistente provincial da Estremadura.
Seguidamente, realizaram-se as primeiras provas desportivas do programa inaugural, com a participação de atletas dos centros desportivos universitários de Lisboa, Coimbra e Porto e do Sindicato Escolar Universitário de Madrid.
Às 15 horas, chegou o prof. eng.º Leite pinto, ministro da Educação Nacional, que foi recebido, á entrada da tribuna principal pelos srs. eng.º Saraiva de Sousa, subsecretário de Estado das Obras Públicas: prof. dr. Vítor Hugo de Lemos, reitor da Universidade de Lisboa; comissários nacional e adjunto da Mocidade Portuguesa; coronel Carlos Chaby, comandante distrital da Legião Portuguesa; e outras individualidades.»

 

Corria o ano de 1930 quando um projecto para reunir as Faculdades de Lisboa num só local contemplou, pela primeira vez, a construção de um campo de jogos para os estudantes universitários. A zona da Palma de Cima e arredores, entre a Praça de Espanha e o Campo Grande, seria a eleita para a localização do que seria a futura “Cidade Universitária”, à história da qual o “Estádio Universitário de Lisboa” está ligado.

Para a construção do “Estádio Universitário de Lisboa” foi determinante a acção do engenheiro Vasco Pinto de Magalhães e dos seus colaboradores. O primeiro esboço que conhecemos do Estádio, não datado, é da autoria do arquitecto João Simões. A 9 de Dezembro de 1955 foi apresentada a planta geral dos “Campos Desportivos do Centro Universitário de Lisboa da Mocidade Portuguesa”, sendo seus autores os arquitectos João Simões e Norberto Correia.

O projecto de arborização, do arquitecto paisagista António Viana Barreto, integrava-se no plano geral de arborização da Cidade Universitária, procurando-se, por isso, manter a unidade de conjunto nas espécies plantadas. O conceito artístico e de monumentalidade seria dado pela construção da Praça da Maratona (que não passou do papel), que se ligaria à entrada pedonal do Estádio, e por 8 estátuas alusivas à temática desportiva distribuídas em redor do campo principal. Este campo foi entendido como um pequeno estádio olímpico, destinado a pouco público, mas com características monumentais e possibilitando a prática de várias modalidades: rugby, futebol, andebol, hóquei em campo e atletismo.

Campo para prática de várias modalidades

 

Entrada do “Estádio Universitário” e vista a partir do “Hospital de Santa Maria

 

Estádio Universitário e Cantina da Universidade de Lisboa, à direita

Por outro lado o jornal “Diário Popular” fazia uma descrição pormenorizada dos equipamentos disponíveis:

«O campo principal tem uma tribuna para as entidades oficiais e três filas de assentos para 3.000 espectadores.
Aos lados da tribuna e por detrás da bancada existem dois corpos onde estão instalados os balneários que têm comunicação com o depósito de equipamentos. Chuveiros com água quente e fria, e mobiliário do mais fino gosto e qualidade dão ao conjunto um aspecto harmonioso, limpo e confortável.
Nas arrecadações, situadas sob a tribuna, está armazenado o material mais moderno para as competições desportivos, especialmente o que se destina ao atletismo, como barreiras, para treinos e competições; varas, dardos, discos, pesos, dois anemómetros, enfim, tudo o que de melhor se fabrica no Mundo.
O Estádio está também dotado de um gabinete de massagens e de um posto médico para os acidentes de fracturas e traumatismos, e um sistema de reanimação pelo oxigénio.»

Estatuária do Estádio Universitário de Lisboa, representando modalidades desportivas

 

Estátua.6

No dia 19 de Maio de 1966 foi inaugurado o “Pavilhão Gimnodesportivo” (actual pavilhão nº 1), projectado pelo arquitecto Alberto Pessoa, com um grande festival desportivo, em que ficou patente a enorme valência deste recinto polivalente. Local de variados e importantes eventos desportivos, dos quais podemos destacar o “II Campeonato Mundial Universitário de Judo, em 1968”, que trouxe aos tapetes do Estádio alguns dos melhores judocas mundiais. Nos anos 70 do século XX,  o Estádio debateu-se com algumas dificuldades ao nível da gestão financeira, falta de pessoal e degradação de equipamentos. Contudo, em 1981, construiu-se o pavilhão nº 2, aumentando a capacidade de oferta do Estádio para a prática do andebol, voleibol, futsal e outras actividades físicas.

Os anos 90 assinalaram um período de construção de novos equipamentos - como a construção do Centro de Ténis (1994) - e recuperação das instalações existentes, de que é exemplo a remodelação do Estádio de Honra e edificação da sede administrativa do “Estádio Universitário de Lisboa”, projecto da autoria do arquitecto Karel Mariovet. Este obra possibilitou, logo no ano da conclusão da sua remodelação e modernização das pistas de atletismo, que o Estádio fosse o palco do “Campeonato do Mundo de Juniores de Atletismo - 1994”. A reconversão do pavilhão nº 3 iria permitir, a partir de 1995, a disponibilização de uma infra-estrutura vocacionada para os desportos de combate.

 

A 10 de Julho de 1997 foi inaugurado o Complexo de Piscinas do “Estádio Universitário de Lisboa”, projectado, por “Frederico Valssassina, Arquitectos”, como uma piscina olímpica coberta, vocacionada para a competição desportiva, é hoje um centro de actividades aquáticas e um centro de actividades físicas de grupo. Pelo elevado número de utentes inscritos este Complexo assume uma importância primordial no conjunto do Estádio. De destacar, igualmente, a remodelação do Centro de Ténis, da autoria de “Frederico Valssassina, Arquitectos”, cuja inauguração ocorreu a 17 de Setembro de 2001.

A valorização do recinto desportivo é uma preocupação constante conforme se testemunha pela reconversão dos campos nº 3 e 4 em relva sintética (2004), destinados às modalidades de Futebol 11, Futebol 7 e Rugby. O “velho” “Estádio Universitário de Lisboa”, composto pelo seu Estádio de Honra, do qual lhe advém o nome, e pelo conjunto de infra-estruturas oferecidas, é actualmente o mais bem equipado parque desportivo da cidade de Lisboa.

Bibliografia: U Lisboa - Universidade de Lisboa

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

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