10 de setembro de 2014

Campo de Ténis do Jamor

O Court Central do actual “Centro de Ténis do Jamor” de foi inaugurado a 10 de Junho de 1945 e é considerado, por muitos jogadores de elite, o mais belo campo de ténis do mundo, e embora tenha sido alvo de obras de beneficiação,  mantém intacto o seu traçado arquitectónico do arquitecto Jacobetty Rosa, tambem responsável pelo projecto do Estádio Nacional inaugurado a 10 de Junho de 1944.

O Court Central e os edifícios associados foram construídos no local da antiga Quinta do Rodízio, onde havia um chalet de veraneio em que morou Almeida Garrett na década de 40 do século XIX. Em 1870, era propriedade do famoso político legitimista e jurisconsulto Carlos Zeferino Pinto Coelho. Nessa zona, havia uma antiga ponte sobre o Jamor, que fazia o acesso a Linda-a-Pastora, da mesma época da que ainda hoje existe perto da foz.

O “Centro de Ténis”, destinado a competições, consiste, segundo a Memória Descritiva do arquitecto Jacobetty Rosa:

«numa cuva rectangular, aberta ao terreno natural, circundada por uma arcada que se desenvolve em três dos lados do quadrilátero e é rematada nos ângulos e no quarto lado por pequenos pavilhões.

O “court”, com as dimensões regulamentares, localiza-se no centro da cuva e, orientado no sentido Norte – Sul, é ladeado a Nascente e a Poente respectivamente por nove filas de bancadas dispostas em degráus.O tôpo Sul é ocupado por um talude arrelvado e o tôpo Norte pela Tribuna da Presidencia, antecedida pelas escadas de acésso ao campo de jogos,para os jogadores. (…)Sob o ponto de vista estético, procurou-se aligeirar a construção dando-lhe a graciosidade e carácter da arquitectura tradicional portuguesa que o local e o partido paisagístico do plano geral requérem.As bancadas, que, como dissémos, ladeiam o campo a Nascente e ao Poente, têm uma lotação para 1260 pessoas cómodamente sentadas em degráus de cantaria e estudados de forma a garantir uma boa visibilidade e permitir a circulação com os lugares ocupados.Os espectadores entram pela arcada que guarnece a fachada Sul e podem tomar ràpidamente os seus lugares circulando nas amplas galerias com arcaria, que ladeiam as bancadas.

Nos corpos de gavêto de um e de outro lado da arcaria de entrada situam- se, respectivamente à direita, a sala de chá e dependencias e à esquerda, a sala dos jornalistas e as instalações sanitárias destinadas ao público. (...)Fronteira à entrada, na sala norte do edifício, situa-se a Tribuna da Presidência (80 logares) com as suas dependências e, de cada lado,estabelecendo a transição para a arcaria, dois pequenos corpos semelhantes aos da fachada Sul, destinados ás instalações dos jogadores de ambos os sexos. (...) De junto de cada uma destas instalações parte uma escada, que se desenvolve em dois lanços ao longo da Tribuna, de maneira a conduzir os  jogadores directamente ao campo de jogos. (...)Com a verba de 20.000$00 para imprevistos fechou-se o orçamento da obra em Esc. 1.485.000$00 (Um milhão e quatrocentos e oitenta e cinco mil escudos).»

A ideia de construir um complexo destinado ao ténis é praticamente contemporânea da decisão de construir o “Estádio Nacional”, embora só tenha sido posta em prática mais tarde, mas sob o lápis de um dos seus grandes obreiros, o arquitecto Miguel Jacobetty Rosa.

O traço distintivo deste, já realçado no edifício dos balneários do Estádio Nacionale na sua Tribuna, surge-nos novamente nas instalações destinadas ao ténis, com os seus alpendres assentes em colunatas de arco de volta perfeita.
Desde cedo, foi um local de eleição da sociedade chique, que aí se deslocava para fazer o seu “sport” e para ver e ser vista, como hoje ainda sucede durante o “Estoril Open”.

 

Os campos de ténis do Jamor desempenharam um relevante papel na história da modalidade no nosso país. Uma escola de ténis, chamada Centro de Iniciação de Ténis da Cruz Quebrada, foi criada no contexto do Estádio Nacional em Outubro de 1967, por iniciativa do Prof. Alfredo Vaz Pinto. Foi a primeira escola de ténis em Portugal a ministrar aulas em grupo.

A morte prematura do engenheiro Duarte Pacheco impediu a conclusão do projecto inicial, e deixou por concluir espaços como o Hipódromo, Piscina Olímpica, Centro Náutico, Parque Público e Ribeira do Jamor. As áreas por concluir permaneceram por largos anos abandonadas, ocupadas por equipamentos não harmonizados com o projecto inicial, ou cedidas a entidades privadas.

 

O actual “Centro de Ténis do Jamor”  é composto pelos seguintes equipamentos:

1 Campo Central, em pó-de-tijolo, com capacidade para cerca de 2.000 espectadores
26 Campos descobertos em pó-de-tijolo (10 dos quais com iluminação artificial)
6 Campos cobertos em piso sintético (Nave com 4 455 00m2 de área bruta)
3 Campos descobertos em betão poroso
3 Paredes "bate-bolas" em piso sintético
Balneários equipados com sauna e aquecimento central
Sala de estar
Restaurante/Bar
Parque de Estacionamento para 100 viaturas

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, A Gazeta de Miraflores

4 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns pelo blog!
É uma pena o pavimento das paredes «bate-bolas» estar num estado que envergonharia os projectistas.
Registo ainda - e sei bem do que falo - que a verba consagrada para imprevistos durante a construção, era menos de 2% do valor orçamentado para a obra; outros tempos…
JM

José Leite disse...

Caro JM

Grato pelo seu comentário

Cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

Tivesse havido outros outros "Duarte Pacheco" e isto estaria diferente!...

Vespinha disse...

Mas ainda bem que ainda existe, ao contrário de tantas coisas maravilhosas que só temos visto aqui em fotografias...