4 de julho de 2014

Mercado da Praça da Figueira

O "Mercado da Praça da Figueira", em Lisboa, surgiu no terreno das ruínas do “Hospital Real de Todos os Santos”, em 1755. Inicialmente concebida como praça tradicional (venda de frutas e hortaliças) ao ar livre, chamava-se então “Horta do Hospital”. Mudou de nome para “Praça das Ervas”, “Praça Nova” e, finalmente, para “Praça da Figueira”.

“Hospital de Real de Todos-os-Santos”

O mercado, a céu aberto, surge em 1755. Ao longo dos tempos, foi sofrendo algumas alterações consoante as necessidades da população. Assim, em 1835, é arborizado e iluminado, em 1849 foi-lhe colocado uma cerca gradeada, coberta e com 8 portas.

 

  

Em 1882 foi aprovado o projecto da nova Praça. Em 1883 o velho mercado foi demolido.

O novo “Mercado da Praça da Figueira” foi inaugurado, com a presença da família Real em 16 de Maio de 1885. Este edifício apresentava quatro cúpulas, três naves e uma área de 8.000 metros quadrados permanecendo assim durante 64 anos, após os quais se procedeu à sua demolição definitiva.

Cerimónia de inauguração em 16 de Maio de 1885

A propósito da inauguração o jornal “Diario Illustrado” noticiava no dia seguinte:

«Realizou-se hontem ás 4 horas da tarde a inauguração do novo mercado da praça da Figueira.
Ás 3 horas Suas Majestades El-Rei e a Rainha foram ver a praça.
A inauguração foi, como dissemos, ás 4 horas, assistindo a camara municipal, a direcção da companhia dos mercados, o sr. governador civil e mais auctoridades.
A concorrencia foi grande.
Tocou durante a tarde a banda da guarda municipal.
Á noite houve illuminação, que produziu esplendido effeito.
O mercado estava todo embandeirado e cheio de festões de verdura.»

Referência humorística na revista “Pontos no ii” de Raphael Bordallo Pinheiro

  

 

Quanto às suas características transcrevo o texto na integra, que a elas se refere, o jornal “Diario Illustrado”:

«O mercado tem 3 naves interiores, as quaes são cobertas de chapas de ferro galvanisada, medindo cada uma 63m,5 de comprimento por 30 m de largo.
As do nascente e poente abrigam 240 mezas de pedra para venda de hortaliças e fructas. A nave central tem em cada um dos dois extremos uma rotunda abrigando 72 mezas; paralellas a estas rotundas ha mais 16 mezas. Ha dois espaços que medem 12,20x643 cada um, os quaes são destinados para a venda por grosso; além d'isso ha mais 4 talhões de 30 por 543 metros para o mesmo fim. Nas quatro faces do mercado ha 119 logares para estabelecimentos nos pavilhões que formam os anglos do mercado.
Os logares são fechados por portas de ferro elasticas.
O chão do mercado é de beton vincado e as coxias de beton liso, o chão interior das mezas é coberto de ladrilho mosaico. A illuminação interior é feita por 45 lampeões.
Ha 26 marcos fontenarios, e os esgotos são feitos por tubos de grés.»

 

Publicação das contas do mercado da Praça da Figueira, referentes ao ano de 1916

Após a sua demolição em 1949 (fotos seguintes), restou um espaço rodeado de edifícios simples e equilibrados, de onde se tem uma boa perspectiva do Castelo de S. Jorge.

 

Em 30 de Dezembro de 1971, é inaugurada a estátua “D. João I - Mestre de Avis”, no centro da Praça da Figueira, da autoria de Leopoldo de Almeida e Jorge Segurado. A cerimónia foi presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa o engenheiro Santos e Castro ( à esquerda e de óculos, na foto seguinte). Lembro que foi este Presidente de Câmara que “revolucionou” o trânsito na capital ao mandar construir muitos viadutos que os seguintes são exemplos: viaduto frente á “Churrasqueira do Campo Grande”, túnel do Campo Grande por debaixo do monumento à Guerra Peninsular, viaduto metálico em Alcântara-Mar, passagem desnivelada da Avenida Estados Unidos da América no cruzamento com a Avenida de Roma, etc.

 

Uma volta em redor da Praça da Figueira, permite-nos apreciar um conjunto de estabelecimentos curiosos como o “Hospital das Bonecas”, “Camisaria Moderna”, “Pastelaria Suíça” e a “Confeitaria Nacional”, bem representativos do comércio à antiga.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

3 comentários:

Vespinha disse...

Aqui está algo que teria hoje imenso sucesso se ainda existisse...

Anónimo disse...

A primeira imagem é uma água-forte de Zuzarte e pertenceu ao meu avô. À esquerda, na sombra, o palácio da Inquisição no local aproximado onde se situa o teatro Nacional.
Cumprimentos

Anónimo disse...

Ao «Anónimo» comentador acima pergunto se o «avô» a que se refere, seria Augusto Celestino da Costa, grande investigador endocrinologista (histologista) e presidente do Grupo dos Amigos de Lisboa?
Obrigada ao «Restos de Colecção» pelas admiráveis e encantadoras imagens...
Outra anónima