11 de maio de 2014

Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras

Em 10 de Julho de 1910, realizou-se a “Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras”, uma corrida de automóveis e motocicletas, num percurso de 1.500 metros entre a Ponte Nova (Rua da Fábrica da Pólvora) e o Moinho da Cascalheira (à Cruz das Oliveiras), numa das zonas mais altas de Lisboa.

Esta corrida, promovida pela “Sociedade Promotora de Educação Física”, como parte das diversões do “mês desportivo” , e sob a direcção do Real Automóvel Club” (1903), contou com a presença e supervisão do Príncipe Real Afonso de Bragança, irmão mais novo do Rei D. Carlos de seu nome completo: Afonso Henrique Maria Luís Pedro de Alcântara Carlos Humberto Amadeu Fernando António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando Inácio de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança, mas conhecido por Infante D. Afonso (1865-1920).

Planta Topográfica (datada de Maio de 1908) da zona onde se realizaram as provas

Assistência devidamente instalada …

 

«A diversão decorreu animadissima, com certa feição aristocratica e ao mesmo tempo popular, pois que a todos interessava, sendo grande a afluencia do publico. Em palanques préviamente reservados via-se um grande numero de senhoras da primeira sociedade com lindas toilettes de verão, de côres alegres e que davam um belo tom de festa. (…)

Inscritos des ciclistas, srs. Carlos Gonçalves Junior, Mario de Oliveira Beirão, Henrique Chaves, Armando Figueiredo, A. Motta Veiga, Frederico Traquino, Guilherme Prazeres, A. Adriano Aires, , Mario Beirão e José Maximo Correia.


Vinte e um automoveis de diversos autores, pilotados pelos srs. Henrique Chaves, José Aguiar, Carlos Maia, visconde de Pernes, Joquim Belo de Almeida, Louis Laurencel, João B. Dotti Junior, José A. Martins Junior, A. Pimenta de Aguiar, Jorge Bleck, Carlos de Almeida Araujo, A. Beauvalet, Tito de Sousa Frick, S.L.R. Hollis, Diogo Passanha, D. João de Lencastre, Jorge Burnay e Estevam O. Fernandes.» in revista “Occidente”

Após a revista dos automóveis pelo presidente do júri, o Infante D. Afonso (sentado ao volante no carro da frente) …

Teriam início as corridas …  com o «De Dion» de Henrique Chaves com o nº 12

 

«Recordando o passado, está ainda na nossa memoria o exito alcançado com a corrida Figueira-Lisboa levada a effeito no dia 27 de Outubro de 1902 por uma comissão.
D'essa corrida sortiram effeitos  magnificos para o desenvolvimento do automobilismo, que teve n'essa ocasião um grande impulso (...)
Como consequencia da grande propaganda que se lhe seguiu, os cofres publicos lucraram bastante, porque a importação de automoveis augmentou consideravelmente apezar da pouca commodidade e segurança que as nossas estradas offereciam e, ainda hoje, offerecem para esse meio de locomoção.» in revista “Tiro e Sport”

O júri era composto por: Presidente, Infante D. Afonso; comissários, marquês de Castelo Melhor e marquês do Faial; Suplentes, Manuel Figueira da Câmara e Filipe Vilhena.

Infante Dom Afonso com J. Lima à direita e à esquerda o presidente do Real Automóvel Club

Ponte Nova

Carro de Henrique Chaves

                Carro de Carlos Maia, visconde de Pernes                                       Carro de João B. Dotti Junior

 

Carro com Infante D. Afonso ao volante e o seu ajudante de campo

Recordo que o Infante D. Afonso, era apelidado de “O Arreda”, já que quando algum transeunte, ou ajuntamento de pessoas, se lhe apresentavam pela frente do seu carro,  ele gritava «arreda! arreda!» .

Motocicleta de Oliveira Beirão a curvar

A tabela classificativa

Vencedor Estevam Fernandes no seu “Brasier”

Os dois primeiros classificados: Estevam Fernandes e Angel Beauvalet

 

«A concorrencia foi enormissima, tanto aol longo do percurso como nos pontos altos das immediações. Junto ás tribunas tambem a assistencia foi numerosa, fazendo alli a elite o rendez vous da semana.
O serviço de policia foi bem desempenhado, não tendo havido, quer por incuria quer por imprudencia, o mais leve desastre.
Muito enthusismo, musica, etc. Os socorros medicos estavam devidamente organisados.
No local da méta estava armada a tribuna de onde toda a élite de Lisboa assistiu á corrida.» in revista “Tiro e Sport”

E a indispensável publicidade

 

                                                             Reportagem completa na revista “Illustração Portugueza”        

 

1910 Corrida de Automóveis.22

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital

4 comentários:

João Celorico disse...

Caro José Leite,
este "post" muito curioso e pitoresco merece alguns comentários.
1)Onde diz que se inscreveram dez ciclistas, talvez fosse melhor dizer "motociclistas".
2)Apesar de todo o "post" ser muito pitoresco, aquele pormenor da ambulância é o máximo!
3)Onde se fala do Infante D.Afonso,talvez fosse conveniente dizer que o senhor, um aficionado das corridas de "alta velocidade" daquele tempo, era popularmente conhecido (já que era de sangue real) pelo cognome de "O Arreda", tal era o seu "grito de guerra" quando se passeava a "alta velocidade" pelo meio da populaça!

Cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Grato pelo seu comentário

Onde se lê «des ciclistas» não alterei para o correcto «dez motociclistas» já que se trata de uma transcrição fidedigna, como sempre faço, de um texto da revista "Occidente"

Noutro artigo mencionei esse cognome de "Arreda" ao Infante D. Afonso mas vou acrescentá-lo neste, igualmente.

Mais uma vez muito grato pelo seu comentário

Os meus cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

..."o Infante D.Afonso apelidado... e não aplidado!!!

José Leite disse...

Caro(a) Anónimo(a)

Grato pela sua chamada de atenção à minha falha ao digitar.

Cumprimentos

José Leite