7 de fevereiro de 2014

Instituto de José de Figueiredo

Em 1890/91, o pintor Manuel de Moura restaura o painel “Fons Vitae”, da Misericórdia do Porto, tendo a precaução de fazer fotografar a obra antes da intervenção. Em 1909 inicia-se o trabalho de recuperação dos painéis atribuídos a Nuno Gonçalves, a cargo do pintor Luciano Freire, tendo a intervenção sido precedida dum registo fotográfico da obra. Os trabalhos são acompanhados pelo então director do “Museu Nacional de Arte Antiga”, José de Figueiredo. O trabalho é apresentado em 1910, ano em que é criada a “Comissão de Inventário e Beneficiação da Pintura Antiga em Portugal”, constituída por Ramalho Ortigão, Manuel de Macedo, Luciano Freire, José de Figueiredo e D. José Pessanha.

Em 1911, José de Figueiredo instala uma oficina de restauro no “Museu Nacional de Arte Antiga”, em Lisboa, convidando Luciano Freire para se ocupar da beneficiação e restauro das obras de arte do Museu.

No Porto, em 1934, Luís Reis Santos inicia os estudos de pintura antiga recorrendo à radiografia, luz rasante e raios infra-vermelhos, com o apoio dos médicos radiologistas Drs. Pedro Vitorino e Roberto Carvalho. O pintor Carlos Bonvalot, conservador do “Museu Conde Castro Guimarães” irá também recorrer à radiografia e a análises físicas e químicas com o apoio do Dr. Luis Quintela e do Prof. Herculano de Carvalho, do “Instituto Superior Técnico de Lisboa”.

  

Em 1936, já por impulso do Dr. João Couto - que um ano depois assume a direcção do “Museu Nacional de Arte Antiga” (MNA) - e com o apoio do físico Prof. Manuel Valadares, o atelier de restauro do MNAA é enriquecido com equipamento laboratorial, nomeadamente uma ampola de RX, criando as condições materiais para um salto de qualidade na análise material das obras de arte, passando a ser conhecido como “Laboratório para o Exame das Obras de Arte”.

Entretanto, a oficina de restauro de pintura antiga, durante anos dirigida pelo pintor Luciano Freire, e cujo trabalho seria prosseguido por Fernando Mardel, funcionava em dependências do Convento de S. Francisco, no Largo da Biblioteca. João Couto entendeu que este afastamento físico do Museu e a necessidade de se dispor de espaços adequados para o estudo e intervenção, assim como a formação de futuros colaboradores, exigiam a construção de raiz de um edifício dedicado exclusivamente às oficinas e laboratórios de restauro.

Com base nos planos e na concepção de José de Figueiredo, Manuel Valadares, João Couto e Fernando Mardel, o arquitecto Guilherme Rebelo de Andrade desenhou aquela que deveria ser a casa do “Instituto para Exame e Restauro de Obras de Arte”, situada nos terrenos anexos ao “Museu Nacional de Arte Antiga”, na Rua das Janelas Verdes. As obras iniciaram-se em 1938 e terminaram em 1940. Para João Couto, tinha-se instalado um «Instituto de Restauro em casa própria, num edifício especialmente para esse fim, caso único no mundo». Tendo sido previsto que este edifício albergasse apenas o laboratório e as oficinas de pintura, viria mais tarde a alargar as suas valências às áreas de mobiliário, têxteis, arquivo e documentação.

“Instituto para Exame e Restauro de Obras de Arte”, futuro “Instituto de José de Figueiredo”

Já na década de 60 do século XX, por impulso do conservador e pintor Abel de Moura (que, em 1951, João Couto tinha chamado para a oficina de pintura), as oficinas de conservação e restauro e os laboratórios fotográfico, de física e química emancipam-se da tutela do “Museu Nacional de Arte Antiga” e constituem o “Instituto de José de Figueiredo (IJF)” em 18 de Dezembro de 1965. Em 19 de Setembro de 1980 o IJF vê actualizadas as suas competências e definido o seu quadro de pessoal. Entre as atribuições do Instituto, destacam-se:

- Proceder à conservação e restauro de bens culturais móveis, quer na posse do Estado, autarquias locais e entidades subsidiadas pelo Estado, quer na posse de particulares;
- Assegurar a investigação e a aplicação das técnicas de conservação e restauro;
- Promover, fomentar e assegurar o ensino e a difusão das técnicas de conservação e restauro, cabendo-lhe a formação profissional do pessoal das carreiras de conservação e restauro do País.

Interiores do “Instituto de José de Figueiredo”

 

 

Sendo a única instituição estatal especializada na conservação e restauro do património móvel e integrado, o “Instituto de José de Figueiredo”, dirigiu e participou em campanhas de trabalho em todo o País, promovendo o levantamento do estado de conservação de retábulos, pinturas integradas em tectos, pintura mural, grupos escultóricos e cadeirais, peças de mobiliário e têxteis, analisando as condições ambientais e sugerindo medidas de conservação preventiva, intervindo nas peças que apresentavam maior risco de degradação.

No último quartel do século XX, a actividade do Instituto em prol da conservação e restauro foi crescendo em intensidade e impacto nacional, estruturando distintos campos de actuação, diversificando as suas metodologias de trabalho e tecendo relações cada vez mais estreitas com outras áreas das ciências humanas e exactas. Para responder a estes desafios tornou-se manifesta a necessidade de um salto de qualidade, uma estruturação distinta, novas e maiores competências e uma maior autonomia administrativa e financeira.

 

 

Com a criação, do “Instituto Português de Conservação e Restauro”, em 1 de Janeiro de 2000, o Ministério da Cultura visava cumprir dois objectivos fundamentais. Por um lado, incentivar a investigação e experimentação nos campos dos materiais e das técnicas de produção artística, atribuindo ao IPCR responsabilidades no apoio científico e técnico a entidades públicas e privadas dedicadas à prática e ao ensino da conservação e do restauro. Por outro lado, estabelecendo que este organismo especializado na preservação do património cultural deveria assegurar as responsabilidades do Estado no domínio da conservação e restauro dos bens culturais móveis e integrados de reconhecido valor histórico, artístico, técnico e científico.

“Instituto Português de Conservação e Restauro”


Em 31 de Março de 2007 seria criado o “Instituto dos Museus e da Conservação”, originando a fusão do “Instituto Português de Museus” (IPM) com o “Instituto Português de Conservação e Restauro” (IPCR).

Bibliografia: Instituto dos Museus e da Conservação

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fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Icomus – Portugal, Instituto dos Museus e da Conservação

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