11 de outubro de 2013

Manutenção Militar

A origem da “Manutenção Militar” remonta a 1772, altura em que é atribuída ao Estado a responsabilidade pela alimentação militar. No fim do século XIX, as necessidades de abastecimento do exército português, em géneros alimentares, levaram à escolha de um local com espaço suficiente para implantação de várias unidades industriais, e com boas acessibilidades devido à proximidade do rio e do caminho-de-ferro. O local escolhido foi o Convento das Carmelitas, fundado por D.Luísa de Gusmão, em Xabregas, perto da rua do Grilo, que estava devoluto após a extinção das ordens religiosas.

Em 1811 é criado o “Comissariado de Víveres do Exército”. Em 1861, o Ministro da Guerra, Marquês de Sá da Bandeira, inicia, a título experimental, o fabrico e fornecimento de pão ao Exército, sob administração directa do Estado.

  

Em 23 de Fevereiro  de 1862 é criada a “Padaria Militar”, no local hoje conhecido por Rocha do Conde de Óbidos. Várias obras de adaptação foram realizadas e, em 1896, o Ministério da Guerra tomou posse do local, e a “Padaria Militar” viria a ser transformada na “Manutenção Militar”, por decreto do Rei D. Carlos, em 11 de Julho de 1897, que instituiria o Plano de Organização da Manutenção Militar.

1885

Entre 1898 e 1910, inicia-se a execução do primeiro Plano de Trabalhos da Manutenção Militar com:

- a implementação de vários equipamentos e estruturas, tais como: Moagem, Depósito de Trigo, Padaria, Prensas, Amassadores e Laminadores para massas, Via-férrea de resguardo para 10 vagões, Laboratório, Oficinas, Cozinhas e Refeitórios, Banhos, Cocheira e Caserna de Condutores;
- a reorganização da Manutenção Militar, pela Lei de 14 de Junho de 1899;
- a aprovação do Regulamento da Manutenção Militar, por Decreto de 26 de Julho de 1899;
- a publicação do primeiro Regulamento do Conselho de Administração da Manutenção Militar, por Decreto de 11 de Abril de 1907;
- a conclusão da Fábrica da Moagem, entre 1907-1908;
- a instalação de uma Fábrica de Panificação e de uma Fábrica de Massas, mecânicas, entre 1907-1908;
- e a instalação definitiva do Laboratório.

Fotos de 1917

                                 Central eléctrica                                                                Máquina a vapor “Sulzer”

 

                                      Fornos para pão                                                          Prensa para moldar bolachas

 

                                Refeitório dos praças                                                           Secção de dactilografia

 

Em 1899, a “Manutenção Militar” abre a primeira sucursal fora de Lisboa, localizada em Coimbra. Posteriormente e até 1937, também serão criadas sucursais no Porto, Bragança, Elvas, Tavira, Viana do Castelo, Chaves, Régua, Viseu, Guarda e Entroncamento, além das delegações de Beja, Estremoz e Aljustrel. Passa, assim, a ter representações em quase todas as povoações onde existem guarnições militares significativas

A partir de 1907 e até aos anos 30, processou-se um redimensionamento da estrutura, de modo a abranger o fornecimento de todos os géneros alimentares às tropas, incluindo rancho e conservas, assim como a implantação de mais infra-estruturas industriais que a transformaram numa das mais importantes entidades fabris nacionais, no domínio dos produtos alimentares.

 

Em consequência disso a “Manutenção Militar” passou a contar com os seguintes equipamentos:

Fábrica de moagem de cereais
Fábrica de Pão
Fábrica de massas alimentícias
Fábrica de bolachas e similares
Fábrica de torrefação e moagem de café
Fábrica de conservas
Leitaria e fabrico de manteiga
Refinaria de açúcar
Matadouro e salsicharia
Tratamento de vinhos (filtragem e pasteurização)

 

 

Entretanto, em 1925, tinha sido inaugurada a Messe de Oficiais de Lisboa, a primeira da “Manutenção Militar”. Posteriormente viriam a ser criadas as messes de oficiais de Caxias, Évora, Pedrouços e Porto, as messes de sargentos de Lisboa, Évora e Porto e a messe militar (mista para oficiais e sargentos) de Lagos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi atribuída à “Manutenção Militar”, a função de alimentar as tropas empenhadas em manobras militares bem como as enviadas como reforço para defesa das Ilhas e do Ultramar.

Manutenção Militar no Entroncamento

 

Em 1947, como acontecimento de maior importância no campo social deste estabelecimento, destaca-se, na Sede, o início de aulas das Escolas Primária e Profissional.

No período de 1950 a 1959, assiste-se à modernização do parque industrial a à construção do Bloco Social, constituído por creche, guarda infantes, escola primária, refeitório com cozinha e salão de instrução e recreio com 800 lugares, cuja inauguração teve lugar em 1959.

A partir de 1959, a “Manutenção Militar”, começava a instalar-se no Ultramar Português, e  a partir de 1961, são criados os supermercados militares destinados a apoiar as famílias dos militares.

 

 

 

Até 1974 são criadas as sucursais de Luanda, Lourenço Marques, Guiné e Timor, as delegações de Nova Lisboa, Beira, Luso e Nampula, as messes de oficiais e sargentos de Luanda, Lourenço Marques e Nampula e as messes de oficiais de Nova Lisboa e Timor. Durante a Guerra do Ultramar, a “Manutenção Militar”, é responsável pela alimentação dos enormes contingentes de tropas empenhados em combate.

Pavilhão do Ministério da Guerra, inaugurado em 29 de Maio de 1947 na Feira Popular de Lisboa, no Parque da Palhavã

 

Na década de 70 do século XX, ainda se instalaram novas unidades da indústria alimentar, como uma fábrica de pastelaria e confeitaria e uma fábrica de fritos para a produção de salgados. Após o 25 de Abril de 1974, e com o fim da guerra no Ultramar, foi necessário uma adaptação à nova realidade, com alguma redução de actividades, como a supressão da maioria dos supermercados. Recentemente, a “Manutenção Militar” prestou funções de apoio humanitário através da recepção e distribuição de bens alimentares e também apoio logístico às Forças Armadas, em missões internacionais, apoiado-as logisticamente  fornecendo-lhes abastecimentos das classes I (subsistências), III (combustíveis e lubrificantes) e VI (produtos pessoais).

 

 

Na sequência da comemoração do seu primeiro centenário, em 1997 a “Manutenção Militar”, foi condecorada com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos.

Bibliografia: “Caminho do Oriente - Guia do Património Industrial” de Diolinda Folgado e Jorge Custódio - “Livros Horizonte” (1998)
Site: Exército Português

fotos in: Caminho do Oriente - Guia do Património Industrial, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Património Nacional

6 comentários:

Pedro Borga disse...

Muito bom. Gostei bastante de ler este post.
Gostava de ter uma chávena de café da Manutenção Militar na colecção...

José Leite disse...

Caro Pedro Borga

Grato pelo seu comentário

Cumprimentos

José Leite

Bic Laranja disse...

Ainda existe M.M.?...
Cumpts.
P.S.: Torrefacção.

Anónimo disse...

Tem alguma coisa da Manutenção Militar de Elvas?

José Leite disse...

Caro Bic Laranja

A M.M. ainda existe, mas quanto à torrefacção não.

Cumprimentos

José Leite

José Leite disse...

Caro(a) Anónimo(a)

Não tenho nada sobre a M.M. em Elvas.

Actualmente só existem sucursais no Porto, Évora e Entroncamento.

Cumprimentos