9 de novembro de 2012

Cinematógrafos e Animatógrafos

O público português conhecia, já em 1894, a projecção de fotografias, primeiro pelos cicloramas, dioramas e as vistas estereoscopias e, mais tarde, pela lanterna mágica, com a projecção de fotografias transparentes em chapa de vidro posteriormente coloridas. A 28 de Dezembro de 1894, o fotógrafo alemão Carlos Eisenlohr inaugurava a sua "Exposição Imperial" nas lojas do "Avenida Palace Hotel" em Lisboa. Para além das projecções já conhecidas dos lisboetas, apresentou a grande novidade: a fotografia viva - veiculada não por um Kinetograph de Edison, como foi publicitado então - mas pelo Elektrotachyscop ou Schnellseher, um invento de Ottomar Anschutz, que A. J. Ferreira opta, fundamentadamente, por chamar de Electro-Tachiscópio Eisenlohr. Projectava imagens de acções, de um cão a andar ou o galope de um cavalo, contidas em discos de diâmetro reduzido que produziam imagens de curtíssimos segundos.

Quando Edwin Rousby chega a Lisboa para apresentar o seu programa no "Real Colyseu de Lisboa" da Rua da Palma em Lisboa, conhece Manuel Maria da Costa Veiga, fotógrafo versado em electricidade e mecânica, que o ajuda a preparar a sessão.

Seis meses decorridos sobre a estreia em Paris do "Cinématographe Lumiére", foi estreado em Lisboa o "Animatographo ou a Photografia Viva de Rousby". Este espectáculo teve lugar no "Real Colyseu de Lisboa", a 18 de Junho de 1896, que «encanta e maravilha, por ser a reprodução da vida» in: “Diário de Notícias” .

                                                       "Real Colyseu de Lisboa" na Rua da Palma em Lisboa

 

A máquina que apresentou a sessão cinematográfica no "Real Colyseu", propriedade do comendador António dos Santos Júnior,  não foi o Cinematógrafo dos Irmãos Lumiére, mas antes uma sua concorrente, também da autoria do inglês Robert W. Paul, o Theatrograph, que apenas projectava. A máquina projectava por detrás da tela, onde apareciam imagens de tamanho natural, representando durante cerca de um minuto. A sessão foi muito bem recebida e nos meses que se seguiram à sessão da Rua da Palma, várias foram as máquinas que rodopiaram nos cinemas lisboetas, disputando entre si o público cinéfilo.

Theatrograph de Robert W. Paul

Edwin Rousby exibiu os filmes da casa produtora do inglês Robert-William Paul, da qual é enviado. São filmes de cerca de um minuto, "Vistas Animadas" tomadas pelos operadores da produtora inglesa: "Bailes Parisienses", "A Ponte Nova em Paris", "O Comboio", "A Dança Serpentina", "Uma Loja de Barbeiro e Engraxador em Washington".

Em 26 de Agosto do mesmo ano no "Teatro-Circo do Príncipe Real" (futuro "Teatro Sá da Bandeira" após 1910) na cidade do Porto, é apresentado à Imprensa o "Animatographo Portuguez Pinto Moreira"; sessões públicas a partir do dia seguinte, com doze quadros, «todos de completa novidade e alguns de esplêndido efeito».

A 12 de Novembro de 1896 tem lugar a primeira sessão do "Kinetographo Portuguez", no "Teatro do Príncipe Real" (Porto), com a projecção de "Saída do pessoal Operário da Fábrica Confiança" (Rua de Santa Catarina, Porto) de Aurélio da Paz dos Reis e Francisco de Magalhães Bastos Júnior. A propósito deste acontecimento o Jornal de Notícias comentava:

«O espectáculo de hoje apresenta o Kinetógrapho Portuguez, sendo exibidos 12 perfeitíssimos quadros, 7 nacionais e 5 estrangeiros. Os quadros portugueses representam o seguinte: «Jogo do Pau» (Santo Tyrso), «Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança», «Chegada de um Comboio Americano a Caboucos», «O Zé Pereira nas Romarias do Minho», «A Feira de S. Bento», «A Rua do Ouro» (Lisboa), «Marinha». O espectáculo é completado com a companhia de Zarzuela que se fará ouvir nas peças Música Clássica, Las Campanelas (primeira apresentação) e «Os Africanistas». O kinetógrapho português funciona no intervalo do 2º para o 3º acto».

Aurélio Paz dos Reis e o seu "Kinetographo"

   

"Kinetografo" de 1896

O sucesso foi imediato e o público acorria em massa, fazendo deste novo espectáculo um retumbante êxito. Apesar de não terem sido logo construídas salas animatographo, foi em espaços teatrais, que as sessões continuaram a ter lugar. É assim que o "Teatro D. Amélia" (actualmente "Teatro Municipal São Luiz") inicia , dois meses depois do "Real Coliseu de Lisboa", as suas «sessões cinematográficas», cuja qualidade era superior, pois utilizavam tipos de equipamento de projecção mais aperfeiçoado.

Artigo na "Ilustração Portugueza" em 1911

 

 

Até ao final do século XIX apenas outra sala, o "Salão Avenida", situado na Avenida da Liberdade, aderiu ao espectáculo do cinema. Foi na primeira década do século XX que se verificou a expansão do espectáculo cinematográfico, conquistando, para além do público popular que no animatógrafo encontrava entretenimento barato, variado e acessível, também a burguesia e certos intelectuais.

João Freire Correia, fotógrafo, inicia a sua actividade ao comprar um projector para a inauguração do "Salão Ideal" ao Loreto em 1904, a primeira sala de cinema portuguesa. Funda a produtora cinco anos depois, para a qual roda vários filmes, como a "Batalha de Flores" que alcançou grande êxito. Foi operador de "O Rapto de Uma Actriz", primeiro filme de entrecho português, realizado por Lino Ferreira em 1907.

1908

Cinema "Salão Ideal" em 1961 e anúncio em 1908

                  

"Salão Lisbonense" em 1907 e o "Grande Salão High-Life" no Rocio do Marquez de Pombal em Estremoz, em 1908

                

Num dia de Verão de 1906, na Feira de, S. Miguel, no campo onde depois nasceu a actual Rotunda da Boavista. os portuenses assistiram à primeira sessão de cinema de que há memória na cidade, em termos de espectáculo aberto ao público. Não foi essa a primeira vez que no Porto se projectaram filmes, mas os espectáculos de 1906 marcam, com certeza, o início da longa história portuense da exibição cinematográfica. Os responsáveis pelos históricos acontecimentos cinematográficos da Feira de S. Miguel foram António Neves e Edmond Pascaud.

Em 1907 abre o "Salão Chiado" nas instalações dos "Grandes Armazéns do Chiado", na Rua Nova do Almada em Lisboa. por iniciativa Raúl Lopes Freire, filho de um respeitado comerciante lisboeta. Em 1908 este empresário abriria outra sala maior e com mais conforto o "Salão Central" na Praça dos Restauradores.

Foi em 1907 que se realizou em Lisboa a primeira filmagem com registo de sons. Já em 1894 Edison tinha tentado a primeira ligação dos sues dois inventos, o kinetografo e o fonografo. Mas o primeiro aparelho que realizava um sincronismo de imagem e som, foi criado em 1902 pelo grande percursor francês Gaumont que lhe deu o nome de cronofone.

Em Lisboa o local da filmagem foi o pátio de um edifício situado na Rua da Palma. Os audaciosos empreendedores foram joâo Freire Correia, então proprietário da fotografia Londres na Rua das Chagas e Manuel Cardoso. Conhecendo a fundo a técnica cinematográfica do seu tempo realizaram uma das primeiras películas filmadas em Portugal e que foi intercalada entre duas cenas da revista "Ó da Guarda".

Foi então que lhes ocorreu realizar o primeiro fonofilme português. Tiveram de improvisar tudo. João Freire Correia conseguiu , no entanto, obter um sincronismo rigoroso, ou quase, ligando a câmara de filmagem e o aparelho de gravação a dois motores eléctricos que trabalhavam a velocidades iguais. O resultado obtido, atendendo aos recursos técnicos da época podia ser considerado notável. Foi «estrela» dessa película falante a actriz e cantora de fados, Júlia Mendes. Em frente a velhos cenários teatrais, rodeada por maquinismos pouco complexos do tempo,  a artista cantou uma das canções então em voga. "A Grisette".

João Freire Correia a realizar o primeiro fonofilme com a fadista Júlia Mendes

O aumento do número de animatógrafos, incrementava a concorrência entre elas. Quando a frequência de espectadores diminuía, algumas gerências criavam novos motivos de interesse, para atrair mais espectadores. Exemplo dessas iniciativas foi a «invenção» do animatógrafo falado, efeito que se conseguia colocando atrás do écrã um grupo de actores que produziam, com o  realismo e sincronismo possíveis, os ruídos e falas adequadas às cenas dos filmes, então já com maior duração e enredo. O "Salão Central", na Praça dos Restauradores, em Lisboa e inaugurado em 1908, chegou a ter orquestra para acompanhar os filmes.

1908

Rodagem do filme de 1908 "A Grande Caçada no Gerez" e publicidade ao mesmo e ao "Salão Central"

        

                                                                             "Salão Central" em 1908

 

Neste período, o "Chiado Terrasse" inaugurado em 21 de Novembro de 1908 na Rua António Maria Cardoso era, em paralelo com o "Salão Central" (1908) e o "Salão Trindade" (1911), era dos cinemas de maior prestígio de Lisboa, quer pela sua dimensão e qualidade das instalações, quer pelo interesse dos seus programas, sendo mesmo considerado, por alguns, o mais cómodo, amplo e elegante salão cinematográfico de Lisboa.

Até ao aparecimento do primeiro filme de entrecho, "O Rapto de Uma Actriz" de Lino Ferreira, em 1907, os filmes produzidos eram "vistas" ou "filmes panorâmicos", documentários que captavam assuntos ou cenas da vida portugueses.

"Chiado Terrasse" em 1908

 

"Salão da Trindade" em 1913

 

                     

Em 1909 surgem, em Lisboa, a "Portugalia Film", de João Freire Correia e Manuel Cardoso, com financiamento de D. Nuno de Almada e a "Empresa Cinematográfica Ideal" de Júlio Costa.

A década de 1910-1919 foi a mais fértil na abertura de novas salas, sobretudo na área dos Restauradores. Na altura, a capital possuía cinco importantes salas de estreia: o "Chiado Terrasse", o "Salão Trindade", o "Salão Central", o "Olympia" (1911) e o "Condes" (1916). No caso do Condes até 1915 o velho Teatro da Rua dos Condes, ainda não tinha aderido ao espectáculo cinematográfico, inaugurando nesse ano a primeira temporada cinematográfica, que nos primeiros meses se revelou um sucesso. Surge então José Castelo Lopes, que o adquire, efectua obras e transforma, em 1916 o "Teatro da Rua dos Condes" no cinema "Condes", rápidamente revestido de grande prestígio, passando a ser a principal e mais bem frequentada sala de Lisboa.

De 1912 a 1917, o cinema português sofre uma crise e embora haja um grande incremento em termos de abertura de salas de cinema e surjam três novas distribuidoras ("Empresa Internacional de Cinematografia", "J. Castello Lopes Lda." e "Sociedade Raul Lopes Freire"), e a melhor produção é caracterizada predominantemente pelo documentário.

Gabriel Georges Pallu (1869-1948) foi o primeiro realizador de filmes mudos em Portugal. Apaixonado pelo cinematógrafo como amador, começou a fazer carreira profissional em 1911, abandonando a rotina do seu monótono trabalho de secretariado. Integrou assim os quadros técnicos da empresa de produção e de fabrico de material de cinema "Pathé Frères".

Georges Pallu (1869-1948)

                                                                           
 
Contratado pela produtora "Invicta Film" numa deslocação a França de responsáveis desta importante empresa da cidade do Porto, no momento da sua constituição, Georges Pallu trabalharia em Portugal durante cerca de cinco anos. Fundada em 1914, foi pioneira na produção industrial de filmes no país, e manteve Georges Pallu como colaborador até ao encerramento das suas actividades de produção em 1924. Depois do seu regresso a França, Pallu realizou mais alguns filmes no seu país, até ao final dos anos trinta. Foi nomeado, em 1919, Cavaleiro da Ordem de Cristo pelo Presidente da República portuguesa António José de Almeida.

Quando a produtora portuense "Invicta Film" dá início à sua produção contínua de filmes portugueses, inicia-se a cruzada contra a crescente presença e influência das produções estrangeiras. Recorre-se ao motivo português, à exibição do património e do orgulho na literatura nacional conjugados com elencos portugueses. E lança o seu lema ao distribuir "A Rosa do Adro":  «Romance português, filme português, cenas portuguesas, artistas portugueses».

1919 realizado por Geoges Pallu

 

                   "Teatro da Rua dos Condes" em 1915                                                 "Olympia" em 1911

 

                                             1918                                                                                         1919

       

"Amor de Perdição" de 1921, realizado por Geoges Pallu

Na década de 20 do século XX Portugal entrou num período de grande actividade da indústria cinematográfica, considerada já a segunda a nível mundial. A "Invicta Film, Lda.", fundada em 1914 e sediada no Porto, e a primeira empresa que se tinha constituído em bases sólidas no nosso país, além de contar com o «metteur-en-scène» Geoges Pallu, contrataria mais dois, o italiano Rino Lupo e o actor António Pinheiro.

Instalações da "Invicta Film, Lda."

 

A tendência para a adaptação de obras portuguesas, desde o início da década de 20 do século XX, mantém-se até ao filme "Claudia", de Georges Pallu, em 1923, a primeira produção de uma estratégia agora virada para o estrangeiro, com vista à exportação e ao lucro da distribuição alargada. Contratam-se estrelas estrangeiras que não fazem brilhar nem melhorar os lucros da empresa.

Exemplos de filmes (mudos) produzidos pela "Invicta Film"                     

"Claudia" e "Lucros Ilicitos" de 1923 realizados por Georges Pallu e "As Capas Negras" de 1928 por Gennaro Dini      

   

Durante a I Guerra Mundial (1914-1918), a participação portuguesa na guerra foi registada pela mão de Ernesto Albuquerque e pelas produtoras "Invicta Film" e pelos "Serviços Cinematográficos do Exército".

A "Lusitania Film" (1918), a "Portugalia Film" (1919) e a "Caldevilla Film" (1920) de Raúl Caldevilla pioneiro na publicidade, eram outras duas empresas que pretendiam competir com a "Invicta Film", ambas sediadas em Lisboa onde possuíam «ateliers e oficinas montadas em moldes modernos com certa grandeza e largo dispendio de capitais. As três empresas tencionam, todas elas, contratar, para os seus trabalhos, companhias estaveis, compostas por artistas que apenas possam, sem compromissos com empresas teatrais dedicar-se à cinematografia».

A "Lusitania Film", fundada em 1918 foi uma companhia de produção com um projecto ambicioso, liderada por Celestino Soares e Luís Reis Santos. Depois de efectuar obras no antigo estúdio da "Portugalia Film", em São Bento dá início à sua actividade com a filmagem de documentários.

Laboratórios da "Portugalia Film"

 

                "O Destino" de 1922 e realizado por Geoges Pallu         "Os Faroleiros" de 1922 realizado por Maurice Mariaud

            

Principais produtoras e distribuidoras de filmes em Portugal até 1970 :

"Empresa Cinematográfica Ideal" (1910), "Empresa Portuguesa Cinematographica, Lda." (1911), "Empresa Internacional Cinematográfica"(1912), "Lusa Film " (1912), "União Cinematografica,Lda." (1912), "Companhia Cinematográfica de Portugal" (1913), "Invicta Film, Lda." (1914), "J. Castello Lopes, Lda." (1917), "Sociedade Raul Lopes Freire" (1918),  "Lusitânia Film" (1918), "Studio Film (1921), "Portugalia Filme" (1921), "Fortuna Film" (1922), "Pátria Film" (1923), "Iberia Film" (1923) "Mello, Castelo Branco" (1926), "Águia Film" (1926), "Sociedade Geral de Filmes" (1928),"Coimbra Film" (1928), "Sociedade Universal de Superfilmes" (1931), "Companhia Portuguesa de Filmes Sonoros Tobis Klangfilm" (1932), "Ulyssea Filme" (1934), "Sonoro Fllme" (1934), "Cinelândia" (1943), "Exclusivos Triunfo" (1944), "Internacional Filmes" (1947), "Doperfilme" (1947), "Pathé Baby" (1947), "Columbia Filmes’"(1954), "Filmes Castello Lopes" (1959), "Filmitalus" (1963), a "Lusomundo" (1964), "Astoria Filmes", "Talma Filmes", "Imperial Filmes", "Luso Filmes", "Filmes Ocidente", "Espectaculos Rivus", "Rank Filmes", "Exclusivos Triunfo", "Distribuidores Reunidos" e "Vitória Filmes".

1910

                                            1911                                                                                       1912

                                        1925                                                                                           1927

 

Aparelhos de projecção e acessórios para cinema "Pathé-Baby"

 

                                              1923                                                                                         1930

                  

Lista dos principais animatógrafos abertos entre 1899 e 1916:

1898 - Inaugura o "Salão Phantastico", na Rua Jardim do Regedor em Lisboa. Em 1915 muda de nome para "Paradis" e em 1916 para "Salão Ruby"

                             

                              

1899 - 11 de Fevereiro - É inaugurado o (cinema) "Teatro de São João", na Rua de S. João da Praça; apresentando o «Audiographo e Visiographo combinados».

1902 - 17 de Maio - Na Feira de Alcântara (Lisboa), é inaugurado o "Salão Edison; «pavilhão elegante e solidamente construído», sendo proprietário Guilherme Bolander.

1904 - Abre o "Salão Ideal", na Rua do Loreto e propriedade de João Freire Correia. Em 1908 é adquirido por Júlio Costa, considerado o primeiro industrial de cinema e responsável pela "Empresa Cinematografica Ideal".

1906 - 23 de Dezembro - No Porto (Largo da Cordoaria/Campo dos Mártires da Pátria), é inaugurado o "Salão High Life", pela empresa Neves & Pascaud; «elegante pavilhão, aos Clérigos», com "Cinematographo Pathé", sendo proprietários Manuel Neves e Eduardo C. Pascaud.

1907 :

- 22 de Janeiro - Em Lisboa, é inaugurado o "Salão Recreio do Povo", no Largo Silva e Albuquerque, com duzentos lugares e «todas as garantias de segurança»; propriedade de Josué Martins, a primeira sessão foi oferecida à Imprensa.
- 10 de Fevereiro - È inaugurado no Porto o "Salão Catarina".
- 8 de Março - É inaugurado o "Salão Conde Barão", no Largo em referência; propriedade da empresa Verona & Cª, que promete «proporcionar a todo o público maneira fácil de divertir-se, dispensando pequena importância».
- 30 de Março - No Porto, é inaugurado o «grandioso pavilhão» "Salão Cinematográfico Portuense", no Pátio Paraíso (ao Bonjardim) ou dos Bombeiros Voluntários - cuja banda toca no intervalo das sessões, quatro “a partir das 8 horas”; em Julho, passou a chamar-se "Animatographo do Paraíso"; em Outubro, "Salão d'Elite".
- 13 de Abril - Inauguração do "Salon Diamant", na Rua das Gaivotas (Lisboa), “instalado com certa elegância e bom gosto”.
- 27 de Abril - No Porto (Rua Alexandre Herculano), é inaugurado o "Cine-Palais", propriedade de Don Antonio Manresa.
- 9 de Maio - No Porto (Praça dos Voluntários da Rainha/Rua das Carmelitas) é inaugurado o "Animatographo dos Grandes Armazens do Chiado"; «nos baixos da casa, onde têm lugar cerca de mil pessoas, todo instalado com luxo e bem disposto»; «destinado aos fregueses, segundo as compras».
- 8 de Junho - Em Lisboa (Rua Senhora do Monte), é inaugurado o "Salão da Graça", com «uma das melhores máquinas Pathé».
- 8 de Julho - No Porto (Largo Marquês de Pombal/Rua da Constituição), é inaugurado o "Salão Marques de Pombal", sendo empresário Armindo José Fernandes.
- 12 de Julho - Na Rua (Nova) da Palma, Quinta da Folgosa, é inaugurado o "Paraizo de Lisboa"; proprietários: Rodrigo de Sousa, Carlos Esteves, João & José Vasconcelos, Lorjó Tavares e Jaime Victor.
- 9 de Agosto -  No Porto (Rua D. Carlos/José Falcão/Rua da Conceição), é inaugurado o "Salão Pathé", com «uma série de portas inteligentemente combinadas».
- 7 de Dezembro - Em Lisboa (Rua dos Sapateiros) é inaugurado o "Animatographo do Rossio", propriedade de Varona & Cª.
- Abre o "Salão São Carlos", cujo nome deriva do facto de se encontrar muito próximo do "Teatro Nacional de São Carlos".
- Abre no Porto o "Rendez-Vous d'Elite"
, pela "Empreza Cynematográfica Portugueza", de Neves e Pascaud, que no ano anterior já tinha aberto o "Salão High-Life".
- Abre o "Salão Chiado" na Rua das Carmelitas no Porto.
- Abre o "Salão Chiado" nos "Grandes Armazéns do Chiado" em Lisboa e propriedade de Raúl Lopes Freire

"Paraizo de Lisboa", na Rua (Nova) da Palma

1908 :

- 18 de Março - Abre o “Salão Jardim Passos Manoel” no Porto
- 21 de Novembro - Abre o "Chiado Terrasse", inicialmente como animatógrafo ao ar livre para 650 espectadores.
- Abre o "Salão Central" na antiga capela do palácio Foz na Praça dos Restauradores.
- Abre o "Salon Rouge" na Rua D. Pedro V, onde nos programas podia-se ler «Para os males provenientes deste espectáculo há alívio seguro nas casas de caridade próximas».
- Abre o "Cinema Águia d'Ouro" no Porto.
- Abre o "Salão High-Life" na cidade do Porto no Jardim da Cordoaria

- Abre o "Novo Salão High-Life" na cidade do Porto na Praça da Batalha

"Novo Salão High-Life", no Porto

1909 :

- Abre o "Grande Animatógrafo de Alcântara", tendo sido na altura uma das grandes salas do país.
- Abre o "Salão da Trindade" na Rua Nova da Trindade, entre os Teatros Trindade e o Ginásio (Cine Ginásio).

1910 :

- Abre o "Salão Liberdade" na praça dos Restauradores. Propriedade do dono do "Salão Ideal", Júlio Costa, era um recinto muito maior do que a maioria das salas existentes na época, podendo acomodar mais de 1000 espectadores.
- Abre o "Rocio Palace" ocupando o 2º andar do Palácio Regaleira no Largo de São Domingos.
- Abre o "Casino Étoile" na calçada da Estrela.
- Abre o "Jardim Passos Manoel", no Porto.
- Abre o "Salão Foz" no Palácio Foz em Lisboa. Esta sala era propriedade de Raúl Lopes Freire que já abrira o "Salão Chiado" e o "Salão Central"

Anúncio e interior do "Salão Foz" em 1910

    

1918

 

Fachada do edifício do "Rocio Palace" e anúncio em 1911

               

1911 :

- 22 de Abril - Inauguração do cinema "Olympia" na Rua dos Condes.
- Abre no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz o animatógrafo "Wonderful".

1913 :

- 14 de Junho - Abre o "Salão Jardim da Trindade" na cidade do Porto.
- 28 de Julho - Estreia das sessões cinematográficas no "Teatro da Rua dos Condes" (Avenida da Liberdade), em Lisboa.

1915 - Abre o "Cine Paris" no Bairro de Campo de Ourique.

1916 :

- 4 de Fevereiro de 1916 - Na Avenida da Liberdade, é inaugurado o cinema "Condes"; antigo "Teatro da Rua dos Condes", em edifício reconstruído e com novo nome; «aproveitando a profundidade do palco, o écran fica a mais de 8 metros da primeira fila».
- Abre o "Salão Lisboa" no Martim Moniz.
- Abre o "Cine Clube de Benfica" na Avenida Gomes Pereira em Benfica.

 

Só em 17 de Junho de 1931 se estreou a primeira longa-metragem sonora portuguesa («fonofilme») "A Severa", e realizado por Leitão de Barros, no "Teatro São Luiz". Este filme foi feito a partir da peça teatral, em quatro actos, omónima de Júlio Dantas, de 1900,  e que se estreou no "Teatro D. Amélia" ("Teatro São Luiz" desde 1918) em 25 de Janeiro de 1901.

   

Para consultar a história de alguns cinemas e teatros de Lisboa, e não só de Lisboa, ou clicar nos nomes em dourado que forma mencionados neste artigo, ou consultar as etiquetas "Cinemas de Lisboa" e "Teatros de Lisboa", neste blogue.

fotos in: Cinemateca Portuguesa, Cinema aos Copos, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional de Portugal

4 comentários:

João Celorico disse...

E este é um "post" que só acabou no "Fim"!
Parabéns!

Saudades tenho, não dos mais antigos, que não conheci, mas dos que eram verdadeiras salas de espectáculos (Império, São Jorge, Monumental, Tivoli e até o São Luiz, bem mais antigo que estes),onde "ir ao cinema" era um acontecimento. Agora, parece estar a voltar-se ao antigamente mas só no tamanho das salas e no ar condicionado (por vezes bem condicionado).

Cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Grato por mais um seu amável comentário.

A minha sala preferida era o São Jorge.

Cumprimentos

José leite

Jose disse...

E os cinemas e aqnimatogrphos pela província? A história deles?

José Leite disse...

Caro José

Se me indicar onde eu poderei obter as história deles ...

Os mesu cumprimentos

José Leite