20 de fevereiro de 2012

Primeira Auto-Estrada em Portugal

A primeira auto-estrada portuguesa foi o troço construído entre Lisboa e o Estádio Nacional, início da futura auto-estrada Lisboa-Cascais que foi inaugurado em 28 de Maio de 1944. Mandada construir pelo então Ministro das Obras Públicas e Comunicações engº Duarte Pacheco, com os seus 8 quilómetros de extensão com o pavimento totalmente em cimento e brita, entre Lisboa e o Estádio Nacional, foi uma das primeiras a nível mundial. Inicialmente foi denominada oficialmente como Estrada Nacional nº 7 (EN 7), tendo recebido a actual denominação quando as auto-estradas passaram a ter uma numeração diferenciada.

                                               Auto-Estrada Lisboa Estádio.18

         

No seu final na zona do Estádio Nacional, tomava-se uma via secundária (onde hoje se deriva para Queijas) que ligava esta à Estrada Marginal, no Alto da Boa Viagem.

Alto da Boa-Viagem

Aspectos de fases da construção

        

        
 
A Auto-Estrada tem início no Viaduto Duarte Pacheco, em Lisboa, que foi projectado por engenheiro João Alberto Barbosa Carmona que também dirigiu as obras iniciadas em 1942 e inaugurado também a 28 de Maio de 1944. Este viaduto que continua sendo o maior da cidade de Lisboa, é feito de betão armado, medindo 505 m de extensão , incluindo muros de avenida. O seu custo ascendeu a 16.691 contos (83.455,00 €) e nele trabalharam 4.100 operários.

“Viaduto Duarte Pacheco”

Fases de construção do “Viaduto Duarte Pacheco”

          

      

Carro de assistência do ACP no início do “Viaduto Engº. Duarte Pacheco”

Só em 1991 seria inaugurado o troço Estádio Nacional - Cascais, na distância de 17,1 quilómetros, que concluiria a auto-estrada Lisboa-Cascais.

A segunda auto-estrada portuguesa viria a ser inaugurada só em 28 de Maio de 1961, que ligaria Lisboa a Vila Franca de Xira, na distância de 23 quilómetros. Este troço seria o início da futura A1 que ligaria Lisboa ao Porto e que só viria a ficar concluída em 1991.

Auto-Estrada Lisboa - Vila Franca de Xira

                               Praça das portagens                                                             Nó de Alverca

           
 
fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Retratos de Portugal

O presidente do Conselho experimentou, na véspera da cerimónia oficial, os menos de 23 quilómetros que ligavam Lisboa e Vila Franca de Xira e que haviam custado 303 mil contos, e que pelas suas contas, deveriam estar amortizados em 30 anos, com um preço de portagem para os veículos ligeiros de 5 escudos.

 

Nesse dia o jornal “Diário de Notícias” noticiava:

«O sr. prof. Oliveira Salazar apreciou não só a construção da auto-estrada mas também as interessantes paisagens que dela se desfrutam, pedindo, por vezes, que se abrandasse a marcha do automóvel nos pontos mais encantadores».

6 comentários:

Miguel disse...

Não fazia ideia que a ACP existia há tanto tempo.
Recordo-me, de miúdo, andar de bicicleta numa estrada enorme de alcatrão onde ainda não circulavam carros.
Só anos mais tarde soube que era a A5 na zona de Porto Salvo :)

Graça Sampaio disse...

Bem me lembro da inauguração da auto-estrada Lisboa - Vila Franca. E tantas vezes lá passei com o meu pai. O senhor presidente do Conselho, como sempre, ia de véspera, para evitar encontros com o povo... (Tal qual o atual presidente começa agora também a fazer... Medrosos!)

Bic Laranja disse...

O automóvel Club é mais que centenário, parece-me. Temem tenho esse postal.
Cumpts.

José Leite disse...

Caro Bic Laranja

O ACP foi fundado em 15 de Abril de 1903, com a designação de "Real Automóvel Club de Portugal", tendo como seu presidente honorário o Rei D. Carlos I, como Vice-Presidente Honorário o Princípe D.Luis Filipe e como Presidente Perpétuo da Assembleia Geral o Infante D.Afonso.

Com a implantação da República passou a designar-se, a partir de 28 de Outubro de 1910 "Automóvel Club de Portugal"

Cumprimentos

ricardo disse...

Com que entao, o Dr. Salazar parou na auto-estrada para ver a paisagem...Realmente. Se nao fosse a CEE, o que teria sido de Portugal depois de 1991?

joao disse...

Mais importante que a política é a obra. Excelentes (e belos)documentos fotográficos.
Obrigado por os colocar à disposição de todos!