21 de julho de 2011

Padre Max

O padre Maximiano Barbosa de Sousa, nascido em 1943, foi assassinado na região de Vila Real a 2 de Abril de 1976, com 33 anos no lugar de Cumieira no Distrito de Vila Real,  com recurso a uma bomba de controlo remoto colocada no seu carro.

                                                                     Cartaz da UDP, em 1977

                                                     UDP.16 

O padre Maximiano, mais conhecido como padre Max, foi candidato pela ‘UDP - União Democrática Popular’  (hoje inserida no Bloco de Esquerda) à Assembleia Constituinte, pelo círculo de Vila Real, e encontrava-se nesta cidade a promover um trabalho de apoio ao desenvolvimento das comunidades locais. De referir que o ataque à Embaixada de Cuba foi, ainda nesse mês, reclamado pelo ‘Movimento Anticomunista Português’, que mantinha ligações com o ‘MDLP’ - Movimento Democrático de Libertação de Portugal’.

                           x.Diversos.58    x.Diversos.7

O caso foi julgado duas vezes, uma em 1997 e outra dois anos depois, nunca tendo havido uma condenação, apesar do tribunal ter pela primeira vez atribuído um homicídio ao ‘MDLP’, através dos seus operacionais Carlos Paixão, Alfredo Vitorino, Valter dos Santos e Alcides Pereira, movimento armado de direita dos tempos do Processo Revolucionário em Curso (PREC), que marcou os anos seguintes ao 25 de Abril de 1974.

                                                                   Um ano depois … 1977

           x.Diversos.334.1  x.Diversos.334.2

            panfletos in: Ephemera                                                                                       

O ‘ MDLP - Movimento Democrático de Libertação de Portugal ‘, foi um grupo de acção política anti-comunista, liderado a partir do Brasil pelo General António de Spínola, que terá actuado como uma rede bombista nos anos “quentes” que se seguiram à Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal.

                                             
 
Durante o “Verão Quente” de 1975, vários atentados bombistas a sedes de partidos políticos de esquerda foram atribuídos ao MDLP, cujas acções eram muitas vezes confundidas com as do ‘ELP - Exército de Libertação de Portugal ‘ e do auto-denominado Movimento Maria da Fonte.

                                                                      Símbolo do ELP

                                                                   ELP2

A 29 de Abril de 1976, o general António de Spínola suspendeu as actividades do ‘MDLP’, o que efectivamente veio a acontecer após as negociações mantidas com o general Ramalho Eanes para discutir a amnistia das actividades anti-revolucionárias. Contudo, o ‘ELP ‘continuou a actuar em 1976 e o financiamento internacional só acabou depois de serem estabelecidos contactos entre Almeida de Araújo e os militares mais próximos de Ramalho Eanes, o então futuro presidente da República.

1 comentário:

Cascão Simões disse...

Padre Max , grade Homem , e um verdadeiro Padre .