13 de julho de 2010

Cervejas em Portugal

Tudo terá começado em 1836, altura em que foi fundada em Lisboa a Fábrica de Cerveja da Trindade, instalada na Rua  da Trindade. A esta, várias outras se seguiram, propiciando um clima de grande concorrência entre as pequenas empresas produtoras de cerveja.

Cervejaria “Leão d’Ouro”, em Lisboa em 1865

                                                                                           1899

                 Fábrica de Cervejas Trindade em 1949          Carro de distribuição Cerveja Jansen, fornecedor da casa real

        Fáb. Cerveja ´Trindade (R. da Trindade 1949)       

À data da 1ª Guerra Mundial, existiam 5 fábricas de cerveja no continente português: três em Lisboa, duas no Porto. A “Companhia União Fabril Portuense” foi constituída em 1889, na sequência da fusão de 7 pequenos produtores de cerveja da cidade do Porto. Explorava as duas fábricas existentes nessa cidade: a fábrica da Piedade, que seria o estabelecimento fabril de um dos participantes na fusão e, no qual se terá centralizado a produção da nova empresa, e a fábrica do Leão, que entrou em funcionamento já em 1914.

Na cidade de Lisboa existiam três empresas cervejeiras, cada uma explorando uma fábrica: a “Jansen”, a “Estrela” e a “Portugália”. Tratavam-se de fábricas montadas durante o século XIX que, à data da 1ª Guerra Mundial, teriam dimensão inferior à sua congénere do norte de Portugal. Na zona centro, só se atingiu uma maior concentração empresarial com a formação da “Sociedade Central de Cervejas”, em 1934; sendo que ela iria reunir as três fábricas de Lisboa e uma outra localizada em Coimbra.

                          Fábrica de Cerveja Portugália                                              Título de 10 acções, de 1946  

            

Quase um século depois, mais propriamente em 1934, nascia a Sociedade Central de Cervejas (SCC), fruto da associação da Companhia Produtora de Malte e Cerveja Portugália, da Companhia de Cervejas Estrela, da Companhia da Fábrica de Cerveja Jansen e da Companhia de Cervejas de Coimbra

                                   Fábrica de Cerveja Germana na rua de Arroios, em Lisboa no ano de 1908

                                            

                 Fábrica de cerveja Estrela na Avenida Sacadura Cabral ao Campo Pequeno, em 1970

               

                                                     

Em 1968 começa a produção na fábrica de Vialonga, a maior unidade fabril do país dedicada à produção de cerveja, garantindo a cobertura total dos mercados interno e externo. A nova fábrica, inaugurada a 22 de Junho, representou um investimento de 360 mil contos e tinha capacidade para produzir 110 milhões de litros de cerveja, 21 milhões de litros de refrigerantes e 50 mil toneladas de malte.

Em 1975 a Sociedade Central de Cervejas é nacionalizada e da restruturação deste sector nascem 2 grandes grupos: a Centralcer – Central de Cervejas EP, englobando a Sociedade Central de Cervejas e a Cergal, e a Unicer que falarei no fim.

                                                                Sociedade Central de Cervejas, em Vialonga

        

        

                                             Marcas de cervejas criadas pela Companhia de Cervejas de Coimbra.

                          

São fundadas a Copeja, em Santarém, onde é produzida a marca Clok, e a Marina fabricada na Fábrica Imperial, em Loulé.

                                  

Cerveja Laurentina fundada em 1932 em Moçambique, CUCA - "Companhia União de Cervejas de Angola, Sarl", participada pela SCC – Sociedade Central de Cervejas  e pela CUFP - "Companhia União Fabril Portuense" em Angola.

                                    

A Skol produzida pela SCC sob licença. O nome Skol deriva da palavra sueca Skal (que se pronuncia Skol). Significa em Inglês "Cheers"

                                 

A marca Sagres foi criada em 1940 por altura da Exposição do Mundo Português. Em 1941 criaria a Imperial uma marca que ainda hoje é sinónimo de cerveja em barril e servida a copo. De referir que o slogan “Cerveja Sagres a sede que se deseja” foi criado por José Carlos Ary dos Santos.

Cerca do final do século, em 1890, as sete fábricas existentes no Porto foram integradas numa única Empresa, a “CUFP - Companhia União Fabril Portuense de Cerveja e Bebidas Refrigerantes - S.A.R.L.”, que se manteve em laboração até finais de 1977, ou seja, por quase um século. A empresa foi o resultado da fusão de sete fábricas de cerveja, 6 do Porto e uma de Ponte da Barca. Eram elas:  Fábrica da Piedade, Fábrica do Mello, M. Achvek & Cia., J.J. Chentrino &Cia, J.J. Persival & Cia e M. Schereck e a Fábrica de Ponte da Barca.

                                                                                         1890

                                           

                     “CUFP - Companhia União Fabril Portuense de Cerveja e Bebidas Refrigerantes - S.A.R.L.”    

                                      

Nos anos 50 comercializava as marcas: Cristal, Super Bock, Invicta Negra, Invicta Cola, Além-Mar e Zirta.

Esta  veio a constituir a Unicer - União Cervejeira, E.P., resultado da fusão da CUFP (Leça do Balio) com a COPEJA (Santarém) e com a IMPERIAL (Loulé) e ainda com a RICAL (fábrica de refrigerantes de Sta. Iria da Azóia). Esta nova sociedade ficou sediada nas instalações da ex-CUFP, em Leça do Balio.

                     Instalações em 1904 na Rua Júlio Diniz, e publicidade às suas cervejas: Cristal e Além-Mar

                 

Remonta a 1872 a primeira fábrica de cerveja da Madeira, pela iniciativa de Henry Price Miles, cabendo a João Melo Abreu idêntica diligência, em 1892, nos Açores. Estas fábricas estão na origem das que, actualmente, laboram naquelas regiões autónomas, a Empresa de Cervejas da Madeira,Lda.e sua cerveja “Coral” e a Fábrica de Cervejas e Refrigerantes João de Melo Abreu, Lda. esta última comercialza a “Melo Abreu Especial” e a “Melo Abreu Munich”.

                                                        

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa

10 comentários:

Anónimo disse...

Em 1801 existiam sete fabricas de cerveja no Porto uma das quias pertencia ao meu avo de nome Schreck

José Monteiro disse...

Olá

Ando a fazer um levantamento, se é que se pode dizer assim, sobre marcas de cerveja de Portugal. extintas ou não. Alias ate já tinha perguntado aqui: www.cervejasdomundo.com/phpbb3/viewtopic.php?f=9&t=1873&p=12145&e=12145 onde me sugeriram esta ligação. A dita pesquisa serviria para enriquecer a pagina sobre cerveja portuguesa na Wikipédia

A minha pergunta é se sabe de cerejas ou fabricas das mesmas portuguesas, extintas ou não.

Obrigado

José Leite disse...

Caro José Monteiro

As que conheço estão referidas neste post.

Existe um blogue especializado em cervejas português, que lamento mas agora não me recordo, que o poderia ajudar.

Pesquise na net, que certamente encontrará muita informação.

Cumprimentos

José Leite

José Leite

José Monteiro disse...

Muitissimo obrigado

Andei a ver se encontrava o dito blog mas não encontrei. Vou continuar a tentar. Vou inicialmente criar uma folha na net onde meterei toda a informação recolhida nos vários sites. Depois as pessoas podem adicionar informação adicional. Quando tiver feito aviso-o ;-)

Mais uma vez obrigado

Daniel Esteves disse...

Viva!
Gostaria de saber se alguém conhece a história da cerveja Simões produzida numa fábrica em Ponte de Sôr. Já ouvi falar que é uma cerveja dos anos 60 e também já ouvi dizer que é mais antiga. Creio que era duma família "Pinto", talvez daí a figura de um pinto pirografada na garrafa.

Obrigado
Cumprimentos
Dan.

Manuel Peñascoso disse...

Quando em1950 o Café Martinho, pertença da Companhia de Cervejas Estrela, foi transformado em cervejaria, servia-se uma cerveja da marca Imperial cujo copo foi desenhado fino e alto para dar aos consumidores a sensação dum rio de cerveja e daí ficou a designação de imperial e fino para a cerveja servida a copo!

José Leite disse...

Caro Manuel Peñascoso

Muito grato pela preciosa informação, a qual vou inserir no artigo que existe neste blog acerca do Café Martinho.

Os meus cumprimentos

José Leite

José Leite disse...

Caro Manuel Peñascoso

Muito grato pela preciosa informação, a qual vou inserir no artigo que existe neste blog acerca do Café Martinho.

Os meus cumprimentos

José Leite

Gabriela disse...

Prezados senhores:
Meu nome é Gabriela,moro em Petrópolis,região serrana do Rio de Janeiro,Brasil.
Estou fazendo um grande estudo sobre a genealogia da família Gonçalves Pereira,na qual eu pertenço.
Em meus estudos,encontrei um pedaço de uma carta,onde há relatos da existência passada de uma cervejaria Basto,onde segundo estudos, pertencia à José Joaquim Gonçalves Pereira,natural de Cabeceiras de Bastos.
Gostaria de saber se os senhores tem conhecimento sobre a história da cervejaria.Ela foi comprada pela cervejaria Schreck?Alguém poderia dar alguma informação sobre os descendentes da cervejaria Basto,provavelmente meus parentes.
Desde já,agradeço imensamente pela atenção.
Aguardo resposta.
Gabriela

Meu email:gabrielasagoncalves@gmail.com

Joaquim Fernandes disse...

Gostaria de contactar descendentes da família Schreck.

Obrigado,

Cumprimentos,
Joaquim Fernandes