16 de maio de 2010

1ª Competição Automóvel em Portugal

Em 27 de Outubro de 1902 realizava-se a 1º prova de estrada em Portugal. Figueira da Foz-Lisboa. Com carros pilotados por contratados no estrangeiro. Quem primeiro surgiu junto à igreja do Campo Grande em Lisboa (12h e 24m depois da partida) foi um francês – que só pegara no volante em Coimbra porque adormecera no comboio. Por causa disso e apesar de chegar praticamente 1 hora mais tarde, deram o prémio ao italiano Giuseppe Bordino condutor contratado do Fiat 24/32 do Infante D. Afonso na foto abaixo.

                                  “Fiat 24/32” equipado com um motor de 6.371 cc e 32 hp de potência 

                                 

Foi o 1º carro com acelerador de pedal e caixa de 4 velocidades e atingia uma velocidade de 75 Km/h pesando 1.7OO Kgs. Amante de carros e velocidades era o Infante Afonso, o irmão mais novo do Rei D. Carlos. Bombeiro voluntário e... maçon. Corria pelas ruas da cidade aos gritos: «Arreda, Arreda!», para que lhe saíssem da frente. Isso valeu-lhe o cognome: "O Arreda". No relatório oficial da prova, Carlos Calixto escreveu: «Quanto a acidentes, apenas alguns cães mortos e um ou dois abalroamentos sem importância»...

Quanto às provas automobilísticas seguintes em Portugal:

1903 — Surgem as primeiras provas de Circuito com a organização do "Circuito das Beiras"
1905 — Realiza-se a primeira "Gincana" de automóveis em Cascais.
Francisco Martinho, ao volante de um Voiturette Populaire de De Dion Bouton, estabeleceu o record de ligação Lisboa-Paris. 2117 quilómetros em 62 horas e 15 minutos.
1906 - D. António Praia e Augusto Bruges ligaram Lisboa a Constantinopla num De Dion Bouton. Percorreram cerca de 38 mil quilómetros, em 8 meses.
Neste ano de 1906, a 18 de Março, fez-se no Cartaxo a primeira corrida nacional de velocidade: um quilómetro lançado - ligando a Valada do Ribatejo à Ponte do Reguengo. Com a família real a assistir – 43 segundos para José de Aguiar num Fiat, à média de à media de 82,568 km/h.
1910 — Iniciam-se as provas de Rampa com a célebre “Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras”, em Lisboa que retrato a seguir

                                                       Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras

                                  

Em 15 de Abril de 1903, na Sociedade de Geografia, sob a presidência do conselheiro Carlos Roma du Bocage, secretariado por Carlos Calixto e João Craveiro Lopes de Oliveira, foi aprovado o projecto dos Estatutos do “Real Automóvel Club de Portugal”. A presidir à Assembleia Geral ficou o Infante D. Afonso e na Direcção o conselheiro Carlos Roma du Bocage.

O emblema do Real ACP seria aprovado em sessão de 7 de Junho desse mesmo ano, apresentando a particularidade de ter sido desenhado pelo punho do próprio Rei D. Carlos.

Alguns dias após a implantação da República, em 28 de Outubro de 1910, a Direcção do Club depôs o seu mandato nas mãos do Vice-Presidente da Assembleia Geral, sob a presidência do Marquês de Castelo Melhor, que se reuniu 6 de Março de 1911 e, além de proceder à eleição de novos corpos gerentes, decidiu eliminar o título Real, que perdera o significado com o termo da Monarquia, passando a designar-se “Automóvel Club de Portugal”. A Direcção eleita era presidida pelo Dr.António Macieira.

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